Vamos aos factos: a EDA-Electricidade dos Açores é uma empresa do sector público regional, em que o acionista maioritário é o Governo Regional, com 50,1% do capital, sendo 49,9% de capital privado; não concorre para o agravamento do défice do Orçamento de Estado, nem do Orçamento da Região; os resultados anuais dos seus exercícios financeiros têm sido positivos, permitindo a distribuição de dividendos aos accionistas (Bensaúde e EDP), incluindo à própria Região.
Ou seja, a EDA é, de facto, uma empresa sui generis, cujos trabalhadores não devem estar sujeitos à regra de chumbo dos roubos aos funcionários públicos e esta evidência não pode suscitar qualquer tipo de escândalo.
Até porque, se queremos motivos para nos escandalizarmos, então é melhor lembrarmos as excepções aceites pelo Governo da República, no caso da TAP, CGD, Banco de Portugal, CTT, ANA e tantas outras empresas e Institutos Públicos, cujos Presidentes auferem salários entre os 26 e os 19 mil euros, por mês (no mínimo), sem qualquer tipo de preocupação com a equidade dos sacrifícios que – dizem – são para todos. No caso da EDA, o dinheiro sonegado aos seus trabalhadores, em aumentos salariais, no congelamento das progressões automáticas, na antiguidade, prémios, ajudas de custo, corte de subsídios e todos os outros efeitos foi – e é – revertido para os cofres da empresa, em montantes de milhões de euros que também não entram, nem na Segurança Social, nem no IRS.
Digamos que, no caso concreto desta empresa, perdemos todos: consumidores/contribuintes, trabalhadores e a própria Região, em favor de um conjunto de interesses instalados.
O Governo do Partido Socialista está, objecivamente, a retirar direitos aos trabalhadores, pondo-os a pagar para trabalharem e entregando o dinheiro, assim, amealhado ao capital privado, para além daquele que ele próprio arrecada.
E, ou eu me engano muito, ou este tipo de actuação é exactamente o contrário daquilo que se exigiria a um governo de um partido com este nome. Combater o desemprego, dinamizar a economia e devolver poder de compra à classe média açoriana justificam, a meu ver, decisões excepcionais.
As regras vigentes estão a conduzir-nos para o inferno…