O rei vai nú!

O Senhor Secretário Regional da Educação e Cultura demonstrou que possui o perfil ideal para fazer parte deste Governo Regional. Um Governo Regional que muito se arroga de ser a encarnação do único e exclusivo socialismo democrático, um disfarce para a adoção de uma espécie de melancia ideológica, socialista por fora e neoliberal por dentro.

Na semana passada ficámos elucidados acerca das expetativas do Senhor Secretário Regional da Educação e Cultura relativamente ao papel da escola pública no sistema educativo regional. Segundo o seu entendimento, a escola pública seria então, em teoria, o meio ideal para atingir os objetivos do sistema educativo regional, mas na prática confessa que tem dúvidas. Só assim se explica a opção pelo investimento em escolas privadas do ensino regular, em detrimento da escola pública, numa atitude que faz lembrar o rei que para ter as melhores roupagens entregou os melhores tecidos e ornamentos aos tecelões que tinham a fama de serem os melhores entre os melhores, simplesmente, porque eram diferentes e estavam na moda, mas que acabaram por tecer umas roupagens de tecidos e ornamentos invisíveis. Assim, tal como os súbditos daquele reino que acreditavam que o seu rei envergava o melhor fato, os apoiantes deste Governo Regional acreditam que são governados por um governo socialista.

Enquanto todos aplaudem o Senhor Secretário Regional da Educação e Cultura pela sua flexibilidade ideológica, há sempre alguém que aponta essa flexibilidade como prova de incoerência ideológica, assim como a corte do rei rejubilava com as novas roupas luxuosas do rei, tecidas com fios invisíveis, havia sempre o petiz do reino que apontava e denunciava que, afinal, o rei ia nu.

Temos sempre alguém que dirige os apoiantes deste Governo Regional para que continuem a ver o socialismo invisível, sempre pronto a aplaudir o rei que vai desfilando pelas ruas do reino e incentiva os restantes súbditos a imitá-lo. E que mesmo quando algum fedelho mais reguila tem o atrevimento de dizer, em voz alta, aquilo que muitos pensam, logo se apressa a exclamar que o rei não tinha outro fato para vestir.