O shark tank da América

Desde há muito que sabemos da intenção dos responsáveis norte-americanos (políticos e militares) em reduzir o contingente militar estacionado na base das Lajes, por razões várias que só aos interesses norte-americanos dizem respeito. A nós, portugueses e açorianos, compete-nos reivindicar a limpeza do passivo ambiental deixado pela sua presença e atividade, bem como todas as compensações devidas pelo impacto social e económico provocado.

Enquanto os norte-americanos refletiram sobre os seus interesses, deveríamos ter investido na procura de outras soluções que servissem os nossos próprios interesses, entendam-se: criação de riqueza, dinamização da economia e criação de emprego, sem estarmos amarrados à presença militar norte-americana. Mas não foi isso que foi feito. Optou-se, mais uma vez, por jogar tudo no velho vício de tentarmos despertar o interesse militar norte-americano na utilidade, não só da base das Lajes como infraestrutura, como também da nossa posição geoestratégica.

Para quem defende que a presença militar norte-americana é uma inevitabilidade, por sermos pequeninos, mesmos «pechichinhos», então mais vale admitir, de uma vez por todas, que aquela porção de terreno das Lajes é mais dada do que emprestada. E se como diz o provérbio popular: «o que é dado é mais do que vendido», e se for essa a «alma do negócio» das Lajes, então nem vale a pena rever o Acordo. Ou melhor, nem vale a pena termos Acordo, porque não se pode esperar qualquer contrapartida por algo que já não é nosso.

Nesta última semana, recebemos a visita da embaixatriz norte-americana, que à boa maneira neoliberal, vem dizer-nos[JC1]  que tal como quando alguém fica desempregado deve voltar-se para o empreendedorismo, também no caso do desemprego, direto ou indireto, criado pela redução de pessoal na base das Lajes, o que nos falta é sermos empreendedores. Vai daí, a Sra. Embaixatriz far-nos-á o favor de[JC2]  trazer uma espécie de Shark Tank para[JC3]  dar um «empurrão» nas nossas iniciativas empreendedoras.

Como é normal, e até expetável, a Sra. Embaixatriz vai desempenhando a sua missão diplomática de charme, de acordo com os trâmites de uma relação entre um Estado dominador e senhor, e um Estado que lhe é vassalo, enquanto o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, decide como vai propor (ou como deverá propor) a revisão do Acordo de Cooperação e Defesa, mas sem nunca prejudicar a outra parte, até porque a sua intenção é intensificar a relação com os EUA. Por cá, Vasco Cordeiro lá vai dizendo que “até podemos continuar como amigos e aliados, mas se calhar já o fomos mais”. Pois, pois... devo ser muito ingénuo, pois sempre pensei que isto da diplomacia e dos negócios estrangeiros obedecesse à velha máxima de «amigos, amigos... negócios à parte.».

 [JC1]Dizer-nos

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