O voto à esquerda

Sendo militante do Bloco de Esquerda, é natural que apele ao voto no meu partido. Para além disso, estou absolutamente convencida de que Portugal precisa de romper com a alternância entre PS e PSD - sempre com o CDS por perto, ora de um, ora de outro. No governo, a diferença entre as políticas do PS e do PSD são mínimas e têm sempre o mesmo condão: atacar quem trabalha ou trabalhou. A única diferença, neste ataque, está na respectiva dureza: ou mais feroz, ou mais fofinha…

Portugal precisa de uma política alternativa à da austeridade. O programa eleitoral do Bloco corresponde a essa alternativa e não mente aos/às portugueses/as. E mentir é afirmar, por exemplo, que é possível fazer outra política sem reestruturar a dívida e sem transgredir o Tratado Orçamental.

Nesta perspetiva, o Bloco está pronto a ser uma solução governativa, em conjunção de esforços com todas as forças políticas e sociais que assumam este caminho de futuro para o País.

Agora, não nos peçam para enganar as pessoas!

PS, PSD e CDS apresentam-se a estas eleições irmanados, num compromisso fatal: - Não reestruturar a dívida e cumprir o Tratado Orçamental. No mínimo, isto quer dizer que, todos os anos, temos de pagar 9 mil milhões de euros, só de juros da dívida - o mesmo que se gasta no Serviço Nacional de Saúde! – e todos os anos temos que fazer cortes na despesa pública, como impõe o Tratado Orçamental.

Ora, cortes todos os anos, na despesa pública, resulta em: - menos salário para a função pública, menos saúde e educação pública, menos infraestruturas…enfim, o que todos/as sabemos. Por isso, PSD e CDS, em apenas quatro anos, conseguiram que mais de 350.000 portugueses/as passassem a ganhar o ordenado mínimo e que o ordenado médio baixasse 300 euros, nos contratos dos últimos dois anos. Ninguém ignora a “qualidade” do pouco trabalho que, hoje, se consegue arranjar. E ainda querem tirar mais 600 milhões de euros às pensões e privatizar a Segurança Social. Tudo isto e muito mais mas, nos rendimentos dos ricos… não se toca!

Quanto ao PS – subscrevendo o mesmo ponto de partida atrás referido -, diz que vai reforçar a Saúde e a Educação mas, no seu programa de ‘contas certas’, não vem explicado como. Sobre os ricos que têm vindo a aumentar, em Portugal, para além de um ‘toque’, nas heranças de mais de um milhão de euros…nada! Sobre as pensões, propõe-se encolher, drasticamente, as futuras, através da diminuição da TSU dos trabalhadores e dos patrões. E, simultaneamente, apresenta uma proposta de liberalização dos despedimentos!

Por tudo isto, escusam os arautos da ‘austeridade fofinha’ de zurzir no Bloco de Esquerda. Nós não usamos a mentira, como isco, para caçar o voto do povo.

Contem connosco para qualquer solução governativa que assente, numa política séria, que diga a verdade às pessoas, que não esconda as dificuldades e, sobretudo, que trilhe um caminho real de defesa de quem trabalha, onerando quem mais tem.

Porque respeitamos o voto do povo, não mentimos, nem nos armamos em donos dos votos, (des)classificando o voto de cada cidadão/ã, de acordo com os interesses em jogo. Se calhar, tantos anos de maioria absoluta, nos Açores, redundaram numa visão distorcida de Democracia…

Para nós, Bloco de Esquerda, o importante é que as pessoas participem, não se abstenham, porque todos os votos são legítimos e úteis.