Chegou, disse, desdisse, ponderou, negou e ignorou, à medida que, velozmente, ia pondo o pé, aqui e ali. No fim, jurou eterno amor e prometeu voltar. Valha-nos Deus!
Ficou claro que a visita do Primeiro-Ministro mais não fez do que cumprir calendário, pois o seu conteúdo foi, praticamente, nulo. No fundo, teve em vista - porque vamos entrar em ano eleitoral -, fugir à acusação de nunca ter visitado os Açores, durante um mandato.
Foi com espanto que assistimos ao anúncio do acordo, entre o Governo da República e o Governo Regional, sobre a liberalização do espaço aéreo.
Se tudo for verdade, como se explica o anúncio, com pompa e circunstância, em Agosto passado, pelo Governo Regional, do acordo a que tinha já chegado, com o Governo da República?
A forma descuidada, como o 1º. Ministro encarou esta visita, ficou bem patente, na questão do diferencial fiscal. Desde as declarações atrapalhadas e pouco claras, em Ponta Delgada, passando pela tentativa de clarificação, na Horta, só no Pico, Passos Coelho acertou a táctica, com o PSD/Açores: alterar a Lei de Finanças Regionais, para colocar nas mãos do Governo Regional a definição da percentagem de diferencial.
O posicionamento de Passos Coelho, acerca da já existente degradação económica e social, na ilha Terceira (a qual, infelizmente, se vai agravar) e perante um desastre social iminente, foi lapidar: ‘nada há a fazer! Quanto muito, podemos tantar arranjar uns benefícios fiscais’. Eis a resposta do Senhor 1º. Ministro. Uma coisa é certa: se o problema fosse um Banco, Passos Coelho teria respostas céleres mas, como se trata de pessoas, não as tem.
Perante um abaixo-assinado dos/as investigadores/as do DOP, no Faial, protestando contra os cortes na investigação científica, Passos Coelho, mais uma vez, demonstrou a impreparação com que encarou esta visita.
Ao mesmo tempo que fez o discurso da moda – necessário desenvolvimento da Economia do Mar -, corta as pernas aos centros de investigação das ciências do mar.
O DOP já perdeu investigadores, por causa dos cortes do Governo da República.
Aos mesmos investigadores, Passos responde que as universidades têm de oferecer formação de acordo com o mercado.
Será que o Sr. Primeiro-Ministro não sabe o que é investigação científica? Não sabe que está perante um corpo de investigadores/as que têm prestígio internacional? Não sabe que os Açores são responsáveis por 2/3 da área marítima, sobre a qual o país tem soberania? Claro que sabe!
Isto é o Governo da República: - mitiga a capacidade de desenvolvimento do País e da Região; recusa tirar partido dos seus recursos, através da criação de um centro internacional de investigação, na Horta; não aceita que este projecto, não só protege os recursos em causa, como pode alavancar, para outros patamares, a economia dos Açores.
O prolongamento da pista do aeroporto da Horta, levou um rotundo ‘não’. E o reforço de tripulações para as equipas de busca, salvamento e evacuações obteve, da parte do Sr. Primeiro-Ministro, um silêncio de chumbo, o que é inadmissível.
O Sr. Primeiro-Ministro veio aos Açores para cumprir agenda eleitoral e não para ouvir os anseios dos/as Açorianos/as, mostrando um profundo desrespeito pela Região e por quem cá vive.