A Esquerda não é, nunca foi e nunca será igual à Direita. Um facto!
Ao longo dos tempos, temos assistido a uma tentativa demagógica, que de inócua tem pouco, sobre as ideologias defendidas pelos Partidos de Direita e de Esquerda. Sobre esta matéria, há que ter presente a verdadeira génese partidária e não atenuar os seus princípios. Recordo-vos do Titanic que se afundou por esbarrar num iceberg. Não será isso que queremos, com toda a certeza! Há que convir que este barco terá de assumir o seu norte e conseguir, efetivamente, levar avante os seus marinheiros que tanto anseiam por um Portugal melhor.
A dicotomia entre a Esquerda e a Direita é real e faz sentido! Esta premissa terá de ter efeitos e ser assumida com consciência, caso contrário Portugal não irá "desencalhar” jamais da crise de austeridade que tem vindo a sofrer! A ideia de que a política é toda igual e que os políticos são todos uns oportunistas, não pode prevalecer mais. Os números assustadores sobre a abstenção nas Legislativas dão conta desta realidade de que falo. Cenário pior, nunca houve até então! Por isso, aquilo que se assistiu nas últimas eleições nacionais foi uma consciencialização de toda a Esquerda perante o que a certa altura Boaventura Sousa Santos designou de “agressividade da Direita” que “ foi tão devastadora que as forças de Esquerda começaram a perceber que as ditaduras do século XXI surgirão como democracias de baixa intensidade”.
Com efeito, a coligação PSD/CDS liderada por Passos Coelho e Portas acentuou, como há muito não se via em Portugal, as verdadeiras diferenças entre a Esquerda e a Direita. A política radical do neo-liberalismo, o défice democrático e a austeridade foram as principais soluções defendidas para Portugal sair da crise. E estas vinham para ficar! Assistiu-se, assim, à pior agenda ideológica dos últimos tempos, que traduziu-se no aumento da precariedade laboral, na acentuação das desigualdades sociais, no aumento do desemprego (e incentivo à imigração como solução, imagine-se!) e ainda a uma subserviência humilhante perante os senhores da Europa.
Perante tal cenário, qualquer pessoa perceberá o porquê do surgimento da tão mal afamada “geringonça”, designação dada pelo não menos mal afamado Paulo Portas, depois da assinatura de três posições conjuntas entre o PS e os partidos à sua esquerda com assento na Assembleia da República: BE, PCP e PEV.
O que é facto é que em seis meses de governação a “geringonça” já fez mais e melhor do que Passos e a sua tribo em 4 anos!
Os consensos conseguidos à Esquerda em matérias como salários, incluindo aumento gradual do salário mínimo e reposição de pensões, a criação de emprego e luta contra a precariedade, a melhoria dos serviços públicos de saúde, educação e ensino superior, e em matérias como a sustentabilidade da segurança social, concessões e privatizações comprovam que esta coligação funciona e pretende proteger, verdadeiramente, e de uma forma mais justa, todos os portugueses e portuguesas. E não, senhor Presidente da República, o programa de Costa, (apoiado por toda a esquerda) não está tão longe do de Passos”, como defendeu numa entrevista recente ao jornal alemão “Dei Welt”. Se fosse igual ou parecido o povo não perdoaria. E com razão!
O passado já lá vai, é certo! Mas convém nunca esquecê-lo para não se repetir os mesmos erros! O desafio que deixo aos nossos políticos é de demarcar bem o seu posicionamento ideológico, pois só assim conseguem dignificar a política, os políticos e a própria imagem dos partidos. É importante não esquecer o significado da verdadeira polarização ideológica dos partidos políticos que se reveste numa escolha conscienciosa do eleitoradoaquando das eleições. Por isso, reforço que neste cenário não deve existir incoerências, muito menos ilusões sobre os princípios partidários. Mais, não podemos permitir que “ o castigo dos bons que não fazem política seja serem governados pelos maus”. O eleitorado agradece.