Opinião com erros matemáticos

A composição partidária do parlamento dos Açores na atual legislatura trouxe muitas novidades, algumas bastante negativas, como é o caso da entrada da extrema-direita na casa da Autonomia. No entanto, a grande alteração foi não só o fim da maioria absoluta do PS, mas também a criação de um governo de coligação com três partidos, suportados por outros dois partidos, e mais tarde também um deputado independente.

Com esta composição parlamentar, o programa de governo foi aprovado com uma maioria de apenas um voto. E se, até agora, as grandes opções do governo de coligação foram sempre aprovadas – como é o caso dos Orçamentos da Região – há sempre muita incerteza no resultado das votações em muitas iniciativas legislativas de todos os partidos, independentemente de apoiarem o governo ou de estarem na oposição.

Dentro deste cenário, o Bloco de Esquerda é o partido político no parlamento açoriano que se pode considerar como a verdadeira oposição, vigilante, sem medo de enfrentar os poderes instalados, mantendo sempre a coerência. O Bloco não tem telhados de vidro, não está preso a ninguém, nem as suas críticas ou propostas estão presas a que quer que seja a não ser ao caminho que quer trilhar e que acredita ser o melhor para as açorianas e os açorianos.

O mesmo não se pode dizer do PS, PSD, CDS e PPM, que em constantes cambalhotas e jogos de cintura tentam justificar as muitas mudanças de posição política.

Portanto, compreendo que a coerência e determinação do Bloco incomodem muita gente, mas desengane-se quem pense que iremos mudar o nosso rumo, como é o caso de Reinaldo Arruda, que esta semana, num artigo de opinião, fez um ataque feroz ao Bloco de Esquerda e ao seu líder parlamentar.

Reinaldo Arruda, adjunto do Subsecretário Regional da Presidência, acusa o Bloco de fazer uma política de ataques pessoais, não sei se incomodado pelo facto de este ter denunciado a existência de ajustes diretos do governo a uma empresa que era detida precisamente pelo membro do governo, mas a verdade é que o seu artigo de opinião assenta exatamente num ataque pessoal ao líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

E como se não bastasse, ou mentiu propositadamente, ou nem se dignou a fazer os trabalhos de casa antes de escrever inverdades. Refiro-me ao facto de Reinaldo Arruda ter escrito que “até à data, a maioria das suas propostas [do BE] mereceu o voto contra da maioria dos partidos”.

Bem sei que o Subsecretário Regional da Presidência perdeu a pasta dos assuntos parlamentares na última remodelação do governo, mas lá por isso, o adjunto do subsecretário não devia deixar de estar atento aos plenários.

E de forma a dar-lhe uma ajudinha nos trabalhinhos de casa antes de afirmar inverdades, bastando para isso fazer uma pesquisa no site do parlamento açoriano, e umas continhas muito simples, informo-o que, das 29 iniciativas apresentadas pelo Bloco, 21 foram aprovadas, e destas, surpreendam-se, 18 contaram com os votos favoráveis dos partidos que compõem a coligação de direita.

Portanto, tirando as devidas ilações, com certeza que o Bloco de Esquerda está no caminho certo!

Opiniões e suposições à parte, seria bom o sr. Reinaldo Arruda basear-se em factos antes de tentar comprometer publicamente o trabalho do Bloco de Esquerda, muito mais quando o faz assente em argumentos que em nada correspondem à verdade. E neste caso, facilmente se desconstrói uma (des)opinião com umas continhas matemáticas, afinal 1 mais 1 é sempre igual a 2.