Os “mercadores”, esses asfixiadores da democracia!

 

Salvou-se mais um banco, 1.100 Milhões de euros de dinheiros públicos injetados no capital do Banif, mais 1.150 Milhões de garantias dos empréstimos ao banco. A soma do dinheiro dos contribuintes enterrado no Banif, já vai em mais de metade dos 4 mil milhões de euros que o Governo quer cortar no Estado Social, que é como quem diz, no ensino público, no serviço nacional de saúde, na coesão social.

Ainda não acabámos de pagar a vergonhosa festa do PSD no BPN e já o governo empurra o país para outro buraco laranja sem fim à vista! E quem paga? Claro, nós os contribuintes! Os mesmos a quem se retiram direitos conquistados por décadas de luta, os mesmos sobre quem, orçamento após orçamento, se intensifica o saque fiscal.

O Banco de Portugal, em 2013, aponta para uma recessão de 1,9%, praticamente o dobro, o dobro, dos cerca de 1% prevista pelo governo Passos/Portas e pela Troika! Estes senhores são bons a fazer contas de empobrecer o país!

Vieram os fatos negros do FMI dizer que afinal se enganaram! Ao fim de dois anos de austeridade na Europa, “opss”, os cálculos estavam mal feitos! O FMI dizia que: por cada euro de cortes de despesa pública ou de agravamento de impostos se perdia 0,5 euros no PIB, a realidade mostrou que esse impacto é muito maior, é sim entre 0,9 e 1,7 euros por cada euro! Mas os cortes, a austeridade, esses, devem continuar na mesma medida, e mais fortes! Mas tudo isto não é um tremendo assalto à inteligência das pessoas?

Portugal voltou aos mercados, faz-se uma festa! A obsessão com os mercados. Bem se percebe a alegria dos fans e subservientes dos mercados. Em primeiro lugar o regresso aos mercados, não nos enganemos, são fruto da intervenção/garantia do Banco Central Europeu em defesa da zona euro, que fez com que os juros das dívidas europeias baixassem; em segundo lugar, Portugal com juros de quase 5% é dívida apetecível e em terceiro lugar, não é nenhum regresso à soberania nacional – O BCE tem como condições o cumprimento do Tratado Orçamental que impede os países de fazer face à realidade austeritária – portanto a dívida continua a aumentar e continua impagável nos próximos anos!

E onde está o crescimento económico que poderá aliviar o sofrimento de milhares de portugueses, gregos, espanhóis, irlandeses e muitos outros povos europeus? Onde está o princípio da coesão social, com que a União Europeia se anunciava há uns anos atrás? Onde está o direito ao trabalho, essencial à realização e concretização da dignidade das pessoas? A montanha pariu um rato, tanto sacrifício para tão pouco, dizem alguns e com razão.

O rumo a que as instituições nacionais e internacionais nos levam não é louvável, mas antes altamente reprovável: a espiral recessiva traduz-se em mais exploração, menos rendimento disponível, menos proteção social, mais desemprego, mais acumulação de riqueza em alguns, menos Estado, mais privatizações, menos serviços públicos, menos solidariedade social e mais “caridadezinha”.

Até onde e até quando seguirá esta evidente ameaça à democracia e aos povos asfixiados por esses mercados e seus “mercadores”?