Os incumpridores de promessas eleitorais

Os campeões do incumprimento de promessas eleitorais (partido do contribuinte, os protetores das pensões, o candidato que deu a sua palavra de como não cortaria 13.º e 14.º mês, etc.) estão preocupados com a intenção de BE e PCP cumprirem os seus programas eleitorais, mesmo que numa versão abreviada, ao condicionarem o programa de um governo do PS.

PSD e CDS desesperam e exasperam com a destruição do bloco central e declaram aos trabalhadores, pensionistas e desempregados que é fundamental proteger e cumprir integralmente os requisitos do Tratado Orçamental, da arquitetura do Euro e das instituições europeias, e que os salários, pensões e a criação de emprego logo virão e que estarão já ao virar da esquina, quando, afinal, estarão para além do fim do arco-íris.

A obediência aos tais compromissos europeus fizeram com que PSD e CDS tivessem tentado levar à Assembleia da República, mesmo sem que o governo tivesse apresentado o seu programa, uma resolução que não seria mais do que a reafirmação de um ato de fé perante os tais compromissos europeus. Este movimento tático, motivado pelo desespero, clarificou o pensamento político de PSD e CDS, segundo o qual, o programa de um Governo é secundário ou até mesmo acessório perante os dogmáticos compromissos europeus.

É pena que PSD e CDS não dediquem a mesma devoção à devolução de salários, pensões e emprego, alvos de cortes durante a sua anterior governação, que não por manobras ilusórias de estágios de longa duração, trabalho a troco do subsídio de desemprego e outras «cortinas de fumo» para disfarçar os verdadeiros números do desemprego.

Uma coligação (PSD/CDS) que amedronta as pessoas com o incumprimento do Tratado Orçamental, das regras do euro e, pasme-se, com a possibilidade da saída de Portugal da NATO, para as distrair daquilo que, neste momento, une a esquerda portuguesa: a defesa dos salários, pensões e a criação de emprego.

Todos os dias assistimos a uma campanha mediática para que os portugueses prezem mais o Tratado Orçamental, os compromissos europeus, a orgânica e disfuncionalidade das instituições europeias e a NATO do que o seu emprego, salário ou pensão. Veremos se tal campanha será bem sucedida... enquanto que, por cá, os velhos do Restelo continuam ativos e prontos para colaborar na manutenção de uma sociedade desigual que sustenta uma pequena elite rentista disfarçada por um alegado espírito empreendedor que envergonha e revolta os verdadeiros empreendedores.