As pessoas não são tolas

 

Hoje, em toda a Região, o tema central de discussão é a Saúde.

Acho positivo que um assunto desta importância para a vida de todos/as nós seja alvo de um alargado debate e que a bondade que o Governo Regional reitera seja genuína, por forma a alterar profundamente as suas propostas. Contudo, todos os dias temos dados em contrário.

O Governo Regional dá cada vez mais sinais de que aprendeu depressa com o Governo da República, pois este reúne, vezes sem conta, com a concertação social, mas apenas para impor as suas posições. Parece que o Governo Regional lhe segue as pisadas...

Quem lê o documento proposto com atenção e não é especialista na matéria - como a esmagadora maioria das pessoas - consegue concluir, pelo menos, três coisas essenciais :

- O Governo não tem nenhuma ideia de como vai resolver o principal problema da Saúde, na Região: a deficiente  cobertura de saúde familiar. Fica nas mãos do destino, talvez lá para 2016.

- O acesso à Saúde fica mais dificultado porque impõe aos doentes e respectivas  famílias mais deslocações. Logo, tudo fica mais caro e mais penoso.

- A centralização da Saúde, em S. Miguel – que, contraditoriamente, é a ilha com pior cobertura de saúde familiar - é um facto que cria um sentimento de perda às populações das outras ilhas,  sem que se resolva o problema de S. Miguel.

Com este documento, o Governo conseguiu unir as populações contra ele e até mesmo lançar o PS/A para o lado da oposição. E, na verdade, as propostas são más, o método de aplicação é desastroso e a credibilidade do documento está posta em causa.

Esta discussão foi lançada, com base na sustentabilidade financeira da Saúde. Mas, perante a vigorosa reacção contrária - que leva presidentes de Câmara do PS a lançar cadeiras ao chão -, vem, agora, o Secretário da tutela dizer que isto nada tem a ver com finanças mas apenas com funcionalidade. Apetece dizer: seremos todos/as tolos/as?!

E é uma proposta feita à medida das pretensões eleitorais do PS/A: a excepção de Vila Franca do Campo é notória e nada se muda em S. Jorge e no Pico, até melhor estudo. Porquê? Poderão as populações destas ilhas ficar sossegadas? Sinceramente, não me parece..

Precisamos de seriedade.