O avião deveria levantar voo de Ponta Delgada, com destino à Horta. Voo directo, reparem bem! Cinco minutos antes da hora marcada, ouvimos aquele ‘PLIM!’ sonoro que, traduzido para açoriano, significa ‘seca à vista’… Fomos, então, avisados/as (via altifalante) de que haveria um atraso de 30 minutos, ‘devido a razões atmosféricas, no aeroporto de chegada’. Ok. Esperemos, então. À minha volta, dezenas de turistas eram bem a prova de que os reencaminhamentos gratuitos são altamente atractivos… ‘gratuitos’ para eles, obviamente, porque alguém (os mesmos de sempre) os estará a pagar! O atraso acabou por ser de quase uma hora, sem que a voz sonora tivesse dado alguma outra explicação, facto que só surpreende quem está de visita… Finalmente sentada, dentro da aeronave, oiço a voz do comandante dar as boas vindas a todos/as, ‘no nosso voo para o Pico’. Hã?! Para o Pico?! Mas eu vou para a Horta, Faial! Em estado de aflição (partilhada por mais alguns passageiros), peço explicações ao comissário de bordo que, muito simpaticamente, me responde, com ar de surpresa: ‘Mas, então, não foi avisada de que faríamos escala, no Pico e, depois, os passageiros irão de barco para a Horta?’. Não. Não fui avisada. Nem pela voz sonora, nem por ninguém. E, já agora, nem eu, nem outras pessoas que, em estado de incredulidade, ouviam a informação. Ok. ‘Pedimos imensa desculpa, houve um erro de comunicação’ – como sempre, pensei eu, cá com os meus botões! Ala para o Pico! Chegámos, enfim. Há que ir buscar as malas ao tapete rolante e, de acordo, com as informações que os passageiros iam partilhando entre si (dadas não sei muito bem por quem), haveria um autocarro à saída do aeroporto, o qual nos levaria ao porto da Madalena, onde um barco esperaria por nós. Devo acrescentar que, no meio desta confusão, os muitos turistas a bordo, pediam, atónitos, tradução e/ou explicação para o que se estava a passar… Mala na mão, chegámos ao dito autocarro. Entra um/a, entra outro/a, malas amontoadas no porão e…alto! – temos um problema (mais um!). O autocarro não tem lugares que cheguem para todos/as e o respectivo porão não tem espaço para toda a bagagem! Telemóvel na mão, o motorista pedia, alto e bom som, ajuda, naquela aflição… Ufa! Este autocarro vai partir e, provavelmente, outro seguirá atrás dele. Chegámos ao porto. O barco lá estava, é certo. Entra e não entra, mala e não mala e, de repente: ‘WWOOOMMMM…!’ – o tal barquinho que, supostamente, esperaria por nós, avisa-nos da sua imediata partida. Pânico geral, evidentemente! Calma, calma, parece (parece!) que há outro barco…quem tem malas ‘assim’, vai para ali, quem tem malas ‘assado’ vai para acolá! E espera, espera, espera… Entretanto, eu tenho sede e outros têm fome. Não há problema, o porto tem um bar. Tem?! Não senhor, tinha! Ou melhor, tem mas é como se não tivesse porque… está fechado! Esta história poderia continuar, mais ou menos humorada, porque as aventuras não acabaram por ali… Mas, por manifesta falta de espaço para a contar, na sua plenitude, resta-me acrescentar o seguinte: - o Sr. Secretário Regional do Turismo e Transportes, Vitor Fraga, jura, a pés juntos, que existe e está a funcionar em pleno, o tal Plano Integrado de Transportes (aéreos, marítimos e terrestres!) proposto pelo BE/A. Eu, no lugar do Sr. Secretário, pediria ao GACS para desmentir esta afirmação, por ter sido um engano, uma precipitação, um desejo anunciado. É que, na ausência desse desmentido, o tal do Plano, só pode ser incompetência, negligência e publicidade enganosa…