A extrema dependência a que a economia da Região está sujeita relativamente ao setor leiteiro, à qual se junta, na ilha Terceira, a dependência face à base das Lajes como fonte de emprego direto e indireto, resulta de uma opção política com horizontes limitados que instituiu um pilar ou dois (no caso da Terceira), e não motores da atividade económica que incentivassem a diversificação, o que fragiliza as nossas perspetivas de desenvolvimento.
Uns dirão que dadas as nossas características, enquanto região insular e arquipelágica com poucos ou nenhuns recursos naturais, a aposta em um ou mesmo dois pilares da economia, em detrimento da sua diversificação, é uma inevitabilidade. Outros dirão que o caminho poderia ser diferente, mas mais vale contar com o pouco que temos do que arriscar a ficar sem «pau nem bola».
Eu, pelo contrário, considero que a nossa Região é rica em recursos naturais e, por isso, tenho a convicção que podemos ter dois motores para a economia da Região: os nossos recursos endógenos traduzidos na riqueza que o subsolo do nosso mar encerra, naquele que é um setor cujo valor está estimado em 20 mil milhões de euros, assente numa exploração sustentável de fontes hidrotermais e de minerais com aplicações bioquímicas valorizáveis, e a nossa posição geoestratégica, de acordo com aqueles que são os nossos interesses, por forma a retirarmos o maior proveito possível, o que não se coaduna com a subserviência que o país e a Região têm vindo a adotar perante os interesses militarizados norte-americanos colocando, inclusive, em xeque a nossa soberania.
Estes dois motores só fazem sentido, porque devem servir para alavancar uma economia diversificada, menos vulnerável não só às vicissitudes da evolução do aproveitamento dos recursos dos nossos mares, mas também às preocupações relativamente à sustentabilidade que tal exploração deverá ter.
Não deveria ser necessário clarificar, mas parece-me que nunca é demais vincar que este modelo de desenvolvimento não prejudica o setor leiteiro. Porque procura assegurar a sua sustentabilidade, no contexto de uma agricultura também ela diversificada. Razão para que se reivindiquem medidas de regulação do mercado europeu, que se dispensadas só abonam a favor das grandes multinacionais e contra os produtores que pouco ou nada receberão.
Não deixa de ser curioso que os mesmos responsáveis políticos pela aposta única no setor leiteiro são também os mesmos que «cavaram a cova do próprio setor» no país e na Região, quando estiveram ao lado dos seus congéneres liberais europeus que tudo fizeram para extinguirem as quotas leiteiras, o instrumento europeu de regulação do mercado, e são também aqueles que não se fartam de propagandear as pretensas virtudes do Tratado Transatlântico (TTIP), o acordo ultraliberal entre os mercados norte-americano e europeu, que não é mais do que o «golpe de misericórdia» que as multinacionais darão na pequena produção, nos interesses dos consumidores, nos direitos dos trabalhadores e na salvaguarda do ambiente. Felizmente, tudo indica que é um Tratado sem «pernas para andar».
Esta é a grande mudança de fundo que o BE propõe para a Região, resta aos açorianos escolher entre aquilo que conhecem e um projeto político que procura fazer a diferença para as suas vidas.