Foi uma derradeira luta, que pareceu não ter soluções à vista. Ou melhor, um verdadeiro desrespeito, o que viveram os estivadores no porto de Lisboa.
Já faz largos anos que este descontentamento persistia, sem qualquer olhar mais atento por parte do Governo. Aliás, foi esse o motivo que me levou a escrever sobre este tema.
Esta “guerrilha” é já antiga, todos sabemos. Mas, o que pareceu não ter um fim se prendeu, essencialmente, à indiferença de alguns para com os direitos de um povo, neste caso para com uma classe que lastimava pela precariedade, vivida e causada pelo egocentrismo empresarial.
O que andou a fazer o Governo neste espaço de tempo? Pouco ou nada. Pior, tudo indiciou que a Sr.ª Ministra do Mar tomou parte por uns, sem ouvir as duas partes. Que feio, Sr.ª Ministra!
Mais… Se o porto de Lisboa esteve parado durante o tempo de greve? Hum… Parece-me um pouco estranho. Na verdade, o porto de Lisboa esteve a funcionar com trabalhadores a contratos por um dia, para esclarecer os nossos leitores, em condições precárias e com um rendimento mensal baixo. E isso é muito grave!
Realmente, tudo leva a crer que já não há direito a reclamar por um direito que é nosso!
Se isso é justo? É claro que não! As cacetadas desmedidas, sem limites, aguçam e agilizam o que se pode classificar por uma anarquia extremista contra os trabalhadores. A todo este imbróglio, acresce as consequências sociais e económicas provocadas. Mas, com isso ninguém se preocupou, só alguns!
Neste “guindaste” astronómico, sem paradeiro, e sem eira nem beira, tal como diz o ditado, inclui-se não só os estivadores que reclamavam por um direito, mas as inúmeras famílias destes trabalhadores que se juntaram e viveram esta atrocidade desmedida.
Literalmente, o que o Governo Português fez foi voltar as costas a trabalhadores qualificados e efetivos, rendidos pela instabilidade no emprego.
Garantir e defender os direitos e contratação efetiva dos trabalhadores não será, certamente, um propósito deste novo Governo. E isso é um crime! Na verdade, não deveriam ser esses os desígnios do socialismo na defesa de uma nação?
O despedimento coletivo foi, claramente, uma chantagem contra os trabalhadores, justificado pela diminuição da atividade no porto de Lisboa. Este foi um precedente que provocará efeitos nefastos em diversos sectores no nosso país.
Só posso qualificar esta situação como uma tremenda armadilha, não? Quanto a mim, caminhamos para uma crise política que tomará simetrias inevitáveis, dando primazia a um interesse particular em detrimento de um desígnio geral, disso não tenho dúvidas.
A par disso, é verdadeiramente repulsivo testemunhar como o atual Governo se mantém à margem de questões desta índole, desvalorizando uma visão ecuménica sobre os factos.
Bom, neste país, não há rei nem roque! Estejam atentos, por falta de aviso não será!