A presidente

Ao longo dos últimos 10 anos tivemos um Presidente da República que acompanhou e amparou políticas que trouxeram mais pobreza ao país, como se de um destino por cumprir se tratasse. Podia ter sido um reduto de resistência para travar a delapidação dos portugueses, mas optou pela passividade e pelo silêncio cúmplice para ajudar quem nos assaltou. Agiu, não como um verdadeiro Presidente da República, mas como um líder de fação.

Quando não enveredou pela passividade, tomou ações contrárias ao progresso, como quando lançou o alerta geral ao país, devido à desconfiança que cultiva - e ajudou outros a cultivar – relativamente à Autonomia dos Açores, como se de uma pretensa ameaça à integridade do Estado se tratasse.

Temos dez candidato(a)s que procuram substituir o atual Presidente da República. Não me parecem demasiados, até porque nunca haverá demasiada democracia. Mas não podemos deixar de ter uma postura critica quanto às propostas e as ideias, por eles e elas, defendidas. O que o(a)s distingue? Quais as suas prioridades para o país?

Eu prefiro a candidata que não se refugia no discurso e na lógica hegemónica construída na última década, que culpa os portugueses por terem, algum dia, ambicionado viver acima do limiar da pobreza, como se tivessem vivido acima das suas possibilidades.

Eu prefiro uma Presidente da República que zele pela Constituição e que tudo fará para a fazer cumprir, mesmo que para tal se desobedeça ao Tratado Orçamental (que ninguém o cumpre), disfarçado de rigor e disciplina financeira, mas que, na realidade, não é mais do que uma forma refinada de definhamento dos direitos sociais dos cidadãos para engordar os interesses dos mercados.

Quero uma Presidente da República que não hesite em «mandar às malvas» o futuro Tratado Transatlântico. Um tratado envolto num total secretismo, ao arrepio dos princípios básicos da democracia, e que será mais um aditivo para explorar e empobrecer as economias, principalmente, de uma região ultraperiférica como a nossa.

Eu prefiro uma candidata com convicções, em vez de candidatos que, durante a campanha, não escolhem lados, ao estarem em todo o lado, mas que se preparam, para depois da campanha e se forem eleitos, para alinharem pelo mesmo diapasão do Presidente da República que tivemos nos últimos dez anos.

Quero uma Presidente da República não só sensível ao futuro incerto dos jovens e à dignidade retirada aos menos jovens, como também disposta para os defender contra quem confunde a inevitabilidade da instabilidade e da precariedade laboral com competitividade, e que vê, nos pensionistas, uma «peste grisalha» que rouba recursos ao país.

Eu quero uma Presidente dos oprimidos e não uma Presidente dos opressores. Pronta para quebrar o status quo do medo de perder o pouco ou nada que nos resta, e disposta a tudo para defender o nosso futuro.

Estes são, de acordo com as minhas pretensões, alguns dos principais desígnios de um(a) futuro(a) Presidente da República, totalmente incompatíveis com um upgrade ao estilo e imagem do atual Presidente da República. Razão para querer ajudar à eleição da Marisa Matias.