Produzir, Vender... e Comprar?

O problema não são as cerca de 60 medidas incorporadas, pelo Governo Regional, na Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial. É de crer que muitas destas medidas, se planeadas, calendarizadas e implementadas, com ambição e garra, acabarão por dar frutos, se bem que a maior parte delas, apenas a médio e longo prazo.

Inegável, também, é o facto de reconhecer, em várias delas, propostas que, reiteradamente, o BE tem defendido.

O problema, portanto, não são as medidas existentes, a partir de agora. O problema são aquelas que não constam do referido documento e que, no meu entender, seriam imprescindíveis para que todas as outras possam dar certo.

Reparem bem: o principal motor da nossa economia é a procura interna, ou seja, a sustentabilidade das empresas (e, portanto, dos postos de trabalho) depende da existência de um mercado – leia-se, pessoas com poder de compra suficiente para…comprarem aquilo que é produzido, em sentido lato.

Ora, isto é, exactamente, aquilo que falta à esmagadora maioria das pessoas, porque o Estado subverteu todos os princípios de confiança, justas expectativas, igualdade e proporcionalidade que corporizam a democracia.

Por isso, estamos a empobrecer, aceleradamente e “o empobrecimento significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu”, nada está adquirido, tudo está a saque. Mesmo os direitos constitucionalmente consagrados.

Subsídios e reformas confiscados, salários mínimos que são os mais baixos da zona euro e deixam no limiar da pobreza quem trabalha, impostos brutalmente aumentados para quem menos tem, apoios sociais esmifrados, ao ponto de se transformarem numa caricatura e, pior ainda, num favor, numa esmola.

Então, quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever. E resistir, nos Açores, no contexto de recessão em que estamos mergulhados, implica devolver os subsídios de férias e de Natal e aumentar o salário mínimo regional. Já. Para podermos comprar aquilo que podemos produzir.