Prof. Cavaco, a estabilidade apresenta-se!

Há dois dias, confirmou-se o que eu, acompanhada por muita gente, neste país, sempre dissemos: - nas Eleições Legislativas, votamos para eleger deputados/as à Assembleia da República (AR) e não para eleger o primeiro-ministro.

Assim, a maioria dos/as deputados/as, na AR, rejeitou o programa de governo do PSD/CDS e – PAF! – deitou-o  abaixo.

Mas não se limitou a isso. PS, BE, PCP e PEV apresentaram-se ao povo português, com um programa para dar corpo a um governo com outra política e com a tal estabilidade, tão apregoada pelo Presidente da República.

Toda a gente percebe que o governo PSD/CDS, sem maioria absoluta, não tinha condições para governar. Por um lado, as suas medidas seriam chumbadas, na AR. E, por outro, a nova maioria imporia as suas medidas ao governo PSD/CDS.

Ninguém duvida de quão ingovernável seria esta situação!

Por via da Constituição, só é possível haver novas eleições, após 4 de Abril de 2016. Irá o Senhor Presidente da República manter um governo de gestão, até lá? Um governo impedido de tomar medidas, durante todo este tempo?!

Neste último mês, assistimos a uma histeria da direita, que utilizou tudo o que pôde para meter medo às pessoas, tipo, ‘ou eles, ou o caos’.

Aqui chegados/as, mantêm a gritaria, mas com novos argumentos. Agora, ‘isto não é um acordo, mas três. Não é uma coligação. É uma barafunda que não se aguenta e vai afundar o país’.

Ora, vamos lá por partes. E falo, na perspectiva do Bloco de Esquerda.

Em primeiro lugar, a prova de que é um acordo sério é o facto dos Partidos que o subscrevem não virem dizer que não têm profundas divergências, sobrepondo a verdade à maquilhagem.

Em segundo lugar, todos assumiram que discutiram, na busca de convergências que, uma vez encontradas, integrassem um Programa de governo. É essa a nossa profunda convicção.

Em terceiro lugar, este esforço de convergência é de tal forma claro e sério, que todos assumem que o governo é do Partido Socialista; o respectivo Programa incorpora medidas acordadas com outras forças políticas; e estas, por sua vez, assumem o que está escrito e, nessa medida, disponibilizam ao PS o respaldo parlamentar necessário. Nenhum Partido se ‘despediu’ do seu programa político, para correr atrás de lugares no futuro governo! Pudessem todos dizer o mesmo…

Em quarto lugar, hoje, é absolutamente essencial inverter esta política de austeridade, imposta a trabalhadores/as, a jovens, a pensionistas, a pobres e a tudo o que mexe! É esta emergência social que nos impõe um absoluto respeito, pela palavra dada e assinada.

Quer isto dizer que, em nossa opinião, este novo Programa contém todas as medidas e políticas necessárias, para a transformação profunda de que o país necessita? É evidente que não.

Contudo, perante o quadro político que se abriu, não faltámos à chamada, tal como sempre dissemos.

Que não reste qualquer dúvida do empenho do BE, na restituição do poder de compra, no combate à pobreza, na defesa do que é nosso, na garantia de serviços públicos e na luta pelo direito à dignidade.

Na medida em que o acordo, agora, alcançado, o faça, terá todo o nosso apoio, logo, a estabilidade necessária.

Então, quais poderão ser as dúvidas do Senhor Presidente da República?

Vai assumir as suas funções ou, mais uma vez, defender o seu Partido?

Aguardemos…