Os/as Açorianos/as deram uma maioria reforçada, na Assembleia Legislativa, ao Partido Socialista, com base na garantia que este Partido assumiu de que, se formasse governo após as eleições, seria uma ‘barreira’ à politica de austeridade selvática imposta pelo Governo da República.
Por isso, pergunto: como é isto compaginável com a já conhecida oposição às propostas do Bloco de Esquerda de acrescentar 10 euros ao salário mínimo regional e 15 euros ao complemento regional das pensões abaixo do referido salário?
Estas medidas, para além da mais elementar justiça para milhares de Açorianos/as, fazem mais, no imediato, pela economia da Região e pelo combate ao desemprego, do que as dezenas de medidas anunciadas pelo Governo Regional e cujos resultados, na sua maioria, só se tornarão visíveis a médio prazo.
Nos Açores, as empresas estão a fechar porque as pessoas não têm poder de compra e esta é a razão que todos são unânimes em reconhecer. A isto acresce o facto de, na sua esmagadora maioria, viverem do mercado interno.
É, pois, nestas variáveis que é preciso atacar.
O aumento do salário mínimo regional é, praticamente, indiferente aos cofres públicos e, para as empresas, quase insignificante. Ao mesmo tempo, um aumento extraordinário de 15 euros, nas pensões mais baixas, significa (por ano) um custo de 6 milhões de euros para os cofres públicos.
E ninguém negará que esta verba - por incompetência, falta de rigor ou interesses instalados – é, usualmente, superada, em qualquer derrapagem das obras públicas.
Pelo contrário, a implementação destas propostas representaria mais algum conforto para os mais pobres e uma injecção imediata de dinheiro, na economia regional.
Será que Vasco Cordeiro e Sérgio Ávila não percebem isto? Claro que percebem.
Acontece é que o que disseram, nas eleições, afinal, não foi para valer mas antes para ganhar votos. E, comprovadamente, os compromissos que têm com a Troika e com o Governo a República são mais importantes do que os/as Açorianos/as.
É por isso que Vasco Cordeiro consegue não corar de vergonha quando, do alto do palanque do Congresso do PS/A, anuncia um aumento de pouco mais de 1 euro para as pensões mais baixas. Apenas aquilo que Gaspar deixa e não o que Autonomia exige.