O processo de empobrecimento em curso - vulgarmente conhecido por ‘austeridade’ como subterfúgio para tornar a pobreza e a miséria como uma fatalidade ou uma penitência por supostos pecados - tem tido protagonistas, ora orgulhosos, ora envergonhados pelo seu papel.
O PS, na Região, tudo faz para parecer o protagonista na luta contra o processo de empobrecimento dos portugueses mas, apesar de dotado das competências conferidas pelo nosso Estatuto Autonómico, não tem coragem para quebrar, a sério, com tais políticas, ao justificar a sua falta de arrojo com a ação do governo da República. Por exemplo, defende o aumento do salário mínimo, mas só na República, porque na Região, onde tem competência para, unilateralmente, quebrar com políticas de produtividade dependentes, unicamente, de trabalho ‘low cost’, não tem coragem para o aumentar. E opta por aguardar ordens de Pedro Passos Coelho. Noutro exemplo, mais recente, assistimos a um PS/Açores que pensa duas, três, quatro e cinco vezes antes de reduzir os impostos na Região, quando já poderia, há muito, tê-lo feito.
O PSD/Açores, por incrível que possa parecer, também faz de tudo para parecer o protagonista na luta contra o processo de empobrecimento, mas só dos açorianos, porque os continentais merecem empobrecer, por via de um dos maiores saques da História recente do nosso país, não fosse o saqueador o grande líder do PSD. Portanto, qualquer medida de combate ao empobrecimento, para os Açores, é sempre bem-vinda para o PSD/Açores, logo que autorizada pelo poder do continente, como foi o caso da repentina vontade do PSD em reduzir os impostos na Região, porque tal medida só prejudicaria, o orçamento da Região, pelo que estaria reunida a condição sine qua non para que Pedro Passos Coelho desse a bênção para que pudessem propor a redução de impostos para a Região.
Em suma, enquanto o PS/Açores só tem coragem para defender políticas contra o empobrecimento para o continente, o PSD/Açores, na oposição nos Açores, só defende políticas contra o empobrecimento nos Açores. Assim, ficamos a saber não só porque é o que o PS prefere engonhar para reduzir os impostos nos Açores, mas também porque é o PSD tem, só agora, tamanha urgência para os reduzir.
O CDS, ora em modo de submersão, ora em modo couraçado, vai fazendo pela vida, mas não deixa de querer partilhar o protagonismo, quer com o PSD na República (quando dá jeito), quer, na Região, e muito recentemente, ao lado do Presidente do Governo Regional (do PS), ao chegar a um Acordo mediático para reduzir impostos nos Açores, mas sem que se saiba, por enquanto, como se fará a redução na despesa ou como se aumentará a receita para acomodar tal alteração orçamental.
O BE/Açores também defende a redução dos impostos, mas consideramos que a contrapartida por tal redução deveria passar, por exemplo, pela construção de um só barco (em vez de dois) para o transporte marítimo de passageiros, pela renegociação das parcerias público-privadas e pela alteração no código dos contratos públicos para evitar as constantes derrapagens orçamentais nas obras públicas. Por outro lado, desconhecemos, para já, as opções do CDS e do Governo Regional (PS).
Já sabemos o que esperar de uma governação do PSD/CDS na República. Com estes exemplos regionais também ficamos a saber o que fará um PS num governo na República. Resta saber o que os portugueses (incluindo os açorianos e açorianas) farão nas próximas eleições regionais.