Candidatos do Faial têm projeto político ambicioso e arrojado

É com uma imensa satisfação que estou convosco, naquela que é uma ilha onde se sente com maior intensidade o que é viver num arquipélago.

Os faialenses, os picoenses e os jorgenses sabem bem quão importante é para a nossa Autonomia garantir políticas promotoras da coesão territorial. Se calhar, por isso mesmo, sentiram (e continuam a sentir) o fracasso total do modelo de desenvolvimento económico da responsabilidade do Partido Socialista, agravado pelas políticas de austeridade que levam ao centralismo e ao abandono de quem vive na periferia da periferia.

Os nossos candidatos do Faial tiveram a coragem de assumir as dores de quem está a sentir o abandono e de quem foi entregue à sua sorte.

Os faialenses sabem quão importante é manter setores estratégicos da economia nas mãos de todos nós, e não na dependência do simples exercício do que é, ou não, rentável.

Os nossos candidatos pretendem dar voz aos faialenses que sentiram, na pele, o que é serem tratados como números, quando a TAP se entregou aos desígnios dos interesses privados, e abandonou a ilha, com prejuízo para o serviço público de transportes aéreos. Razão para que não se tenham deixado enganar por todos aqueles que querem privatizar a SATA, seja de uma vez só, ou às fatias.

Os faialenses sabem, melhor do que ninguém, que a privatização da ANA mandou o investimento para o aumento da pista do aeroporto para um dia qualquer num futuro muito longínquo, e sabem muito bem quem está do seu lado, ao contrário do PSD que nem quis responder ao nosso desafio de, pelo menos, assegurar que os encargos com as condições de operacionalidade seriam suportados pelos acionistas.

Os faialenses não estão distraídos, e os nossos candidatos sabem-no e respondem com um projeto político ambicioso e arrojado que não começa e acaba no Faial, mas que enquadra o Faial numa Região que se quer desenvolvida, e que tem na natureza e no conhecimento o seu potencial estratégico.

Não somos uns coitadinhos no meio do Atlântico, vergados ao conformismo da pobreza e do fado da desigualdade.

Os nossos candidatos defendem serviços públicos de qualidade para todos e comprometem-se a defender os interesses de quem é constantemente sacrificado.

No Faial temos um dos centros de conhecimento valioso com uma utilidade inestimável para aquele que será, com certeza, uma alavanca para um desenvolvimento económico diversificado da Região.

O DOP pode ser o embrião de um futuro Centro Público Internacional para as Ciências do Mar, fundamental para garantir a sustentabilidade da exploração do nosso solo e subsolo marinho.

Esta semana, na Terceira, gerou-se, pela quarta vez em três anos, um alvoroço com a vinda do primeiro-ministro da China. De acordo com a opinião publicada, poderão estar criadas as condições para substituir os norte-americanos. Dessa forma, podemos sempre voltar ao «business as usual», ou seja, um modelo económico de dependência e passividade. Assim, e depois da subserviência aos interesses militares norte-americanos para gerar uma troca de contrapartidas, não totalmente conhecidas, em que nós e o mundo ficámos sempre a perder, ensaiam-se e reproduzem-se os mesmos tiques de subserviência, mas para com outros senhores.

Não sabemos qual a origem do súbito interesse da China pela nossa Região, assim com o desconhecemos os planos da Nautilus ou de outras multinacionais na exploração das riquezas que o nosso mar encerra. Mas sabemos que PSD e CDS são os responsáveis políticos por um modelo de concessão de exploração dos nossos recursos, sem que saibamos sequer do seu real valor, que permite uma exploração à discrição do freguês para, mais uma vez, sermos esmifrados.

Não nos interessa entrar nos jogos de sombras das suposições ou dos rumores sobre as reais intenções e objetivos por detrás das visitas regulares do primeiro-ministro da China aos Açores, quando o nosso Estatuto Autonómico nos permite colocar a par sobre todos os assuntos de Estado que nos digam respeito. Está mais do que na hora de sabermos o que está a ser preparado sem o nosso conhecimento.

Mais uma vez, alguém está a por as pernas ao caminho sem saber como e para onde vai.

Não são só royalties que queremos, como se o nosso mar fosse um qualquer negócio de franchising, queremos construir conhecimento e que esse conhecimento fique cá para que tenha um efeito reprodutivo.

Acredito na capacidade dos nossos candidatos para construírem uma nova forma de fazer política nesta ilha, e na nossa Região, o que começa por quebrar as amarras do isolamento, imposto pela falta de coesão territorial. E esse é um desafio que só pode ser cumprido com ambição, determinação e audácia.

Nesta terra de mar podemos implantar os alicerces daquele que é o futuro da nossa Região.

Viva ao BE! 

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Intervenção do Coordenador do Bloco de Esquerda Açores, Paulo Mendes, no jantar/comício realizado no passado dia 1 de Outubro no Faial