Não se deixem enganar pelo PS

Não escolhemos este lugar por acaso. Temos ao alcance dos olhos a mais bela baía dos Açores e uma das mais belas do mundo. O presidente deste Clube Naval da Horta, uma instituição que merece o respeito de todos, disse há duas semanas atrás que o nosso porto está mutilado em virtude da presença daquele barco (o Quimical Daisy) que vêm ali na doca abandonado pelo armador que era contratado pelo Governo Regional para prestar um serviço público. Este é um bom exemplo do tal abandono de que vos falo, do desprezo e desgoverno a que estamos sujeitos.

Mas eu iria mais longe que o presidente do Clube Naval e digo, sem qualquer ambiguidade que o nosso porto, o nosso histórico porto, a porta de entrada desta cidade mar e principal abrigo para o iatismo atlântico nos Açores, está mutilado por muito mais que isso.

Está mutilado pelo novo cais, que foi mal construído e mal dimensionado, e que não corresponde ao que era previsto e ao compromisso assumido com os faialenses.

Está mutilado por todo o desinvestimento a que este porto tem sido sujeito. Às mentiras que nos têm sido oferecidas pelo Governo Regional para justificar a sua cegueira em relação à riqueza que este porto pode e deve representar não só para o Faial, mas também para os Açores. Quero, daqui, lançar a pergunta a Vasco Cordeiro: onde estão os mais de 14 milhões de euros que deviam ter sido investidos na segunda fase do reordenamento do porto até ao primeiro semestre do ano passado? Onde estão esses 14 milhões de euros.

Confontrei, no debate da RTP/Açores, a candidata do PS com isto e o recado parece ter chegado ao destinatário, pois alguns dias depois, a exactamente vinte dias das eleições regionais, eis que a empresa pública “Portos dos Açores” vem a público anunciar que “lançou o procedimento” para a requalificação do porto. Menos mal que o tenha feito, e brevemente irão receber um visita nossa para pedir mais esclarecimentos sobre esse tal “procedimento”, pois é preciso perceber porque é que uma empresa pública tão célere em outros procedimentos, para projetos privados como o megalómano aquário no Porto de Ponta Delgada, aqui para o Porto da Horta só “lança o procedimento” mais de um ano depois da data prevista para a entrega da obra pronta.

É preciso saber também por exemplo onde foi parar, nesse projeto, a ampliação do Clube Naval da Horta ou as instalações condignas para os pescadores e as empresas marítimo-turísticas que aqui operam e que apesar da excelência dos seus profissionais e dos serviços que oferecem ali estão a funcionar em barracas de madeira.

Não se deixem uma vez mais enganar pelas promessas do PS. Ao longo destes vinte anos a melhor prova de que não podemos continuar a votar neste governo é a sua própria ação governativa e o que fizeram ao Faial. Também se demonstrou a total ineficácia dos deputados eleitos pelo PSD para nos defenderem e lutarem pelo Faial. É preciso mudar os nossos representantes no parlamento açoriano. A luta ali não será fácil com apenas quatro deputados do Faial num universário de 57 deputados. O nosso peso político hoje é quase nulo e não nos podemos dar ao luxo de continuar a eleger deputados que não têm o Faial no centro das suas preocupações e ações no parlamento.

Muitos de vós me perguntam: Porquê o Bloco?

A resposta é simples, o BE é hoje o único partido com uma visão de desenvolvimento para os Açores que coloca o Faial no seu devido lugar, que permite realizar as justas aspirações dos faialenses e dar-nos esperança num futuro melhor aqui na ilha para os nossos filhos. Com apenas uma deputada, eleita pelo círculo de compensação, o BE tem feito mais pelo Faial que todos os deputados eleitos por esta ilha juntos. Também na Europa a deputada Marisa Matias tem sido uma valiosa amiga do Faial. E da República aqui está a líder nacional do Bloco para vos dar, na primeira pessoa, a visão deste partido para os Açores. Uma visão construída também aqui no Faial e por faialenses.

Quando lancei a nossa candidatura disse que ela representa um ato de revolta. Revolta contra o desrespeito, o abandono e o esvaziamento da nossa ilha.

Revolta contra o clientelismo, a chantagem e o medo que os caciques do PS nos querem impor. Venho aqui dizer-lhes basta! Os faialenses já mostraram que não vão continuar calados e cúmplices de quem mata o nosso futuro, não podemos continuar a ser vassalos do PS e do PSD.

Em democracia não são históricos eleitorais ou sondagens que elegem os nossos representantes. São as pessoas, são vocês! Só os faialenses podem mudar este estado de coisas e dar oportunidade à diferença e a quem já mostrou que luta por esta ilha.

Para isso, não podemos alimentar a abstenção e temos de acreditar que a mudança é possível, que cada voto faz diferença e no dia 16 de Outubro, mostrar mais uma vez mais que não estamos mortos, nem rendidos. Que nos manifestamos na rua e também nas urnas pela nossa terra, pelo nosso direito, pelo direito dos nossos filhos e netos em acreditar no futuro. Quero, na Assembleia Regional lutar por este futuro e aqui, agora, não vos peço elogios, nem palmadinhas nas costas. Peço-vos mobilização e votos. Para que seja possível, juntos, fazermos a diferença.

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Intervenção no jantar/comício do dia 1 de Outubro