A chantagem é contra a Democracia!
Na Alemanha, políticos, sindicalistas, figuras da cultura e outros/as, juntaram-se, num apelo público contra a chantagem que os meios financeiros e políticos alemães estão a exercer sobre o povo Grego.
"Não votem errado, os mercados e a Europa não perdoarão!", "Vão sair da Europa e do Euro!" – são estas as mensagens difundidas pelos órgãos de comunicação social, na Alemanha, provenientes de altos responsáveis políticos e da Banca, entre os quais se destaca a nossa conhecida Senhora Merkel, mais o seu ministro das finanças.
Na Grécia, as sondagens dão acima dos 30% ao Partido Syriza, o qual se opõe ao plano de austeridade imposto pela Alemanha e pela Comissão Europeia à Grécia, tal como aconteceu e acontece, em Portugal.
O resultado desta política, na Grécia, é trágica para as pessoas.
Cerca de 30% de desemprego - nos jovens, atinge os 50%! - e 71% dos/as desempregados/as são de longa duração.
Esta política – que nós conhecemos tão bem! - lançou 2/3 da população grega na pobreza ou no limiar da pobreza e quem tem emprego não qualificado ou pouco qualificado recebe salários de sobrevivência.
O Syriza quer responder a este desastre social que atinge a Grécia, quer combater a miséria que alastra, destrói e mata. Mas a resposta vergonhosa dos dirigentes alemães da Europa e até de Durão Barroso (que já nada manda, se é que alguma vez mandou), é juntarem-se todos, numa chantagem vergonhosa sobre o povo Grego.
Como é lógico, é impossível (na Grécia, como em Portugal) atacar os problemas que afectam as populações, continuando a pôr, à frente de tudo, o pagamento da dívida e seu serviço.
O Syriza propõe que seja dado à Grécia um tratamento semelhante ao que foi dado à Alemanha, em 1953, para o pagamento da sua dívida: redução do valor nominal da dívida; negociação dos termos do seu serviço; cláusula de desenvolvimento, garantindo que o reembolso da dívida seja efectuado a partir do crescimento económico e não (como actualmente) do excedente orçamental.
É pedir muito? Não! É propor exactamente aquilo que a Alemanha exigiu para si, há 50 anos atrás, e a que a Europa e outros países disseram sim.
Salvar um povo da miséria nada é para os grandes interesses financeiros que têm, na Europa, como testa de ferro, a Alemanha. O único e grande problema é manterem as suas taxas de rentabilidade, para poderem distribuir milhões de euros aos seus accionistas.
Tal como em Portugal, na Europa, o número de milionários tem crescido a um ritmo inédito, à custa do sofrimento dos povos. Do povo Grego, em primeiro lugar, mas o Português não lhe fica atrás, tal como outros.
Hoje, sou Grega e sou Syriza, independentemente deste ganhar as eleições e, em conjunto com o povo Grego, conseguir vencer o previsível ataque destes ‘tubarões’.
Afrontar este ‘polvo’ financeiro que nos manda para a miséria, é uma necessidade urgente, para a Grécia, para Portugal e para todos os povos da Europa.
Não se vence este ‘polvo’ se nada fizermos, tal como, em Portugal, não teríamos vencido o fascismo, sem luta e ousadia.
‘Ousar lutar, para ousar vencer’ é o lema dos Gregos e é o meu também!
Estou crente nesta luta pois, hoje, os Gregos sabem que quem lhes rouba a casa não são os “comunistas”, mas sim os bancos…