Estou absolutamente de acordo com todos/as aqueles/as que defendem que, ser dono/a de um animal doméstico, não é um direito mas, antes, uma responsabilidade. E não aceito a tese de que, enquanto houver seres humanos a sofrer de carências várias, não temos que nos preocupar com as vidas 'de cão' dos animais. Pelo contrário, considero que as lutas (todas!), por serem complementares, se potenciam e empurram, progressivamente, a humanidade para patamares civilizacionais e de dignidade que nos devem honrar.
Também por isso, assumo a minha satisfação pelo facto de, em Dezembro de 2013, o Parlamento Regional ter aprovado uma recomendação ao Governo Regional (de inicitiva do BE mas, prontamente, assumida por outros partidos), no sentido de, entre outras iniciativas, promover: - campanhas de sensibilização que apontem para uma política de não abate dos animais errantes e da adopção de meios eficazes de controlo da reprodução; realização de campanhas de sensibilização públicas, contra o abandono e a favor da adopção responsável; celebração de protocolos com associações de protecção dos animais para a promoção de tratamentos médico-veterinários e práticas de esterelização; celebração de uma parceria com uma Associação de Protecção de animais, com vista à exploração do Hospital Alice Moderno, através de um protocolo que assegure tratamentos médico-veterinários, a preços simbólicos, para detentores de animais, com carências económicas; desenvolvimento de esforços para a melhoria das instalações deste Hospital, de modo a honrar a memória da sua mentora, pioneira da defesa dos animais, nos Açores e para cujo desiderato deixou património significativo.
Importa salientar que esta inicitiva do BE/A pretendia dar uma resposta séria e, tanto quanto possível, eficaz, às continuadas e justas reivindicações de muitos/as cidadãos/ãs, bem como de associações várias, que nunca desistiram da luta pela defesa dos animais.
Importa, também, registar que, entre os vários pareceres - na altura, solicitados pelo Parlamento, a diversas entidades -, um houve que, pelo facto de destoar, em absoluto, do generalizado consenso positivo, acusava a iniciativa do BE/A de “ser desrespeitoso para toda a classe Médico-veterinária, uma vez que ignora a conhecida e muito divulgada existência de protocolos existentes entre associações de protecção de animais e diversas clínicas veterinárias dos Açores”(!!), assinado pelo Presidente do Conselho Regional dos Açores da Ordem dos Médicos Veterinários.
É, portanto, com espanto – embora, com inegável satisfação – que vejo, agora (um ano e meio depois da aprovação da referida recomendação e dois meses depois de termos denunciado o incumprimento da mesma), a mesma Ordem, de braço dado com o Governo Regional, implementando, devagarinho (veremos até que ponto) , as propostas aprovadas no Parlamento.
Ainda bem que a Ordem dos Médicos Veterinários acabou por perceber a inutilidade da hostilização às propostas do BE/A, optando por protocolizar com o Governo Regional (ou vive-versa?) a concretização de uma política de protecção dos animais de companhia e de promoção do respeito pelo seu bem-estar...