Os Açores, ao contrário da perceção do senso comum, está longe de ser uma terra de doutores e engenheiros. Pelo contrário, continua a ser uma região que, apesar de uma evolução positiva registada ao longo das últimas décadas, tem uma população ativa com reduzidas qualificações académicas e profissionais.
É claro que o acesso ao ensino universitário está condicionado pelo sucesso no restante sistema de ensino. Infelizmente, os Açores é a região do país com a maior taxa de não conclusão do ensino secundário, mas isso não pode ser encarado como um motivo para desinvestir na Universidade dos Açores, não fosse a tal evolução positiva registada ao longo das últimas décadas nas qualificações académicas da população ativa da Região proporcional ao desenvolvimento verificado na Universidade dos Açores.
O futuro da Universidade dos Açores está intimamente ligado à tripolaridade, a qual, por sua vez, se associa ao objetivo da coesão da nossa Região, não só territorial, mas também social.
Qualquer espartilho à tripolaridade só pode ser entendido como uma ameaça à própria tripolaridade. Portanto, quando se optou por ‘afogar’ o curso de Educação Básica e, agora, se prepara a descontinuação do curso de Gestão, apesar do seu sucesso, suportado numa equipa de docentes de qualidade e com uma procura assinalável, só porque se pretende ter uma visão estática e especializante de cada campus, devido ao receio de mutação de um modelo estático para um modelo dinâmico, então estamos a condenar ao fracasso, não só o campus de Angra do Heroísmo, mas também toda a Universidade dos Açores.
Espartilhar a Universidade dos Açores é também espartilhar os açorianos e açorianas e reforça um modelo de desenvolvimento de uma Região a 3 ou 4 velocidades. Sabemos que um modelo mais dinâmico e que dota de maior autonomia os três campus tem os seus custos, o que não parece ser o caso do curso de Gestão no campus de Angra do Heroísmo, mas o centralismo, disfarçado pela especialização dogmática dos três campus será sempre desastroso para o futuro da Universidade dos Açores.
Numa época de crise, como a que atravessamos, o acesso à educação e, sobretudo, ao ensino superior é dificultado, com a agravante de vivermos numa Região insular e arquipelágica. Logo, qualquer tentativa de agilizar a tripolaridade da Universidade dos Açores para dar resposta às expetativas dos açorianos e açorianas e para contribuir para a aumentar os seus conhecimentos e as suas qualificações será sempre benvinda.
Em suma, a Universidade dos Açores só é açoriana, se estiver organizada com o intuito de promover a coesão, numa região arquipelágica.