Um olhar sobre os despedimentos da Câmara da Praia

As opiniões dividem-se sobre o processo de despedimento coletivo dos trabalhadores da Cooperativa Praia Cultural. Uns acreditam que seria uma das formas de melhorar o município financeiramente; outros consideram uma forma atroz e desumana de governar.

Certo é que o problema financeiro existe e não será resolvido num ou dois mandatos. Neste processo, não poderá haver lugar a "salvadores da pátria", porque não é para isso que se elegem pessoas. Elegem-se para gerir o que encontram e fazê-lo com o máximo de empenho para não lesar os munícipes.

É necessário muito trabalho, esforço, compromisso e dedicação por parte de um executivo e, também dos seus munícipes, para ultrapassar as dificuldades financeiras.

 Existem escolhas e opções políticas que não lesam os cidadãos. Não podemos fazer política sem relevar a parte humana, recorrendo única e exclusivamente a números e estatísticas, esquecendo a parte filantrópica de governar um povo.

A Câmara da Praia da Vitória tem um longo caminho para resolver o seu problema financeiro. Não é a única Câmara endividada do país, nem a única a pedir ajuda financeira. Há exemplos de câmaras que conseguiram e outras que estão a conseguir ultrapassar as suas dificuldades, sem que isso represente o despedimento das pessoas.

Negociar juros, trabalhar com as instituições financeiras pode e deve ser um dos caminhos a seguir.

Certo é que não poderão ser as pessoas a pagar a fatura sempre que haja má gestão da coisa pública.

Ao povo cabe uma escolha consciente de quem os governará, com um olhar crítico pelo passado, deixando de recorrer às urnas como se de um jogo de futebol se tratasse, vestindo a camisola do clube, ou correrá o risco de continuar a ser pisoteado.

As diferenças partidárias são objeto de uma sociedade democrática saudável e funcional, pelo que, é necessário que continuem a coexistir.

A luta do povo para que as suas reivindicações sejam atendidas faz- se necessária pois, só assim é propulsionado o "motor" que alavanca o progresso político e social. "Despindo" a política de egos relembrando que só existe governo porque existe povo e, o povo é quem mais ordena!

Não podemos deixar de observar em toda esta panóplia: a luta de trabalhadores e o consenso de diferenças políticas para chegar a uma solução. A isto se chama Democracia!

Quando todos trabalham para o bem comum, só existem vencedores.

O grupo de trabalhadores deu a cara numa luta difícil, quando tudo parecia estar contra a manutenção dos postos de trabalho.

O Bloco de Esquerda foi procurado, trabalhou junto com estas pessoas, numa política de proximidade, fez o que mais nenhum fez. Levou este problema socioeconómico à Assembleia Legislativa dos Açores e foi porta-voz das três dezenas de pessoas que recusaram ceder às pressões e decidiram lutar até ao fim.