Um paradigma que não muda

O Século XXI é ainda um recém-nascido. Parece que foi ontem que o vimos vir com a promessa de que um futuro melhor seria alcançado, contudo, agora dezasseis anos volvidos, o que este Século XXI promete é a continuação de um Século XX onde predominou o horror e o medo.

Este pobre Século nem teve oportunidade de se desenvolver. Logo no primeiro ano foi assolado por um ataque macabro, perpetrado por mentes perversas que tinham apenas o intuito de gerar uma guerra com vista a tomar posse das reservas de petróleo do médio oriente. Fica na retina o fatídico dia de 11 de Setembro de 2001 – o dia em que morreu a esperança e nasceu a mentira perpetrada todos os anos como forma de atestar que os eventos ocorridos dois anos depois eram justos. Daí para cá, impera o medo do terrorismo. Os senhores que mandam e desmandam dizem-nos que temos que ter medo dessa ameaça e que devemos ter medo deles, os Islâmicos.

Custa a acreditar que volvidos 70 anos do holocausto da Segunda Guerra mundial, uma vez mais, o discurso de “eles são maus, nós é que somos bons”, perpetua-se com base numa mentira. Todos os dias é a incitação ao medo que perpassa nos meios de comunicação social. Todos os dias vemos estas raízes do medo perfurarem os corações das pessoas. Como se não bastasse esse medo, surgiu esta enorme crise financeira para, também ela convulsionar as mentes perturbadas. Agora, uma vez mais, a velha Europa se vê a braços com uma crise de refugiados e uma vez mais as vozes xenófobas se levantam, querendo construir muros de indiferença à dor, tal como aconteceu na Alemanha Nazi, em que os cidadãos sabiam perfeitamente o que acontecia para lá dos muros dos campos de concentração, mas nada faziam. Apenas limitavam-se a cheirar as cinzas do horror e a perpetuar a ideia xenófoba de uma raça superior.

É imensa a vontade de fazer uma análise positiva deste princípio de Século XXI, mas revela-se um esforço rogado. Estamos num ponto deste Século em que, embora a tecnologia tenha visto avanços significativos, ela, ainda assim, consegue fazer as pessoas estarem ainda mais alheadas dos problemas que assolam este, ainda bebé, Século XXI. Agora, mais que nunca, a informação está a um click de distância, contudo impera nesta rede global, a máscara de um like e uma selfie de um tempo que ignora o mundo real e alimenta o ego de status social. Nunca, como agora, a fama foi um sonho; uma utopia que nos leva a esquecer que ao nosso lado pode estar a solução para os problemas do mundo.

Apetece gritar em alta voz: basta! Basta deste medo. Basta destas guerras com base em crenças religiosas. Basta de crises económicas que não passam de mais achas de madeira atiradas a uma fogueira que arde lentamente. Basta! Deixem o Século XXI crescer e trazer tudo aquilo que um dia prometia. Deixem de olhar para as razões do lucro e olhem para os corações das pessoas. Basta deste medo constante.