Assistimos, na semana passada - em directo, a cores e ao vivo -, a mais uma conferência de imprensa de Paulo Portas. Como já é hábito, neste governante, a verdade andou arredia das suas declarações.
O senhor “irrevogável” dirigiu-se aos/às portugueses/as para os/as informar de que a Troika tinha dado nota positiva à 8ª e 9ª avaliação, mas não tinha dado autorização para que o défice orçamental de 2014 fosse 4,5%, mantendo os 4%.
Para quem dizia e mandava dizer que era preciso ‘bater o pé’ à Troika, não deixa de ser (no mínimo) curioso que, logo na primeira ocasião em que o poderia fazer, tenha falhado redondamente. Semelhante gabarolice enjoa.
Contudo, Paulo Portas tinha mais para anunciar: as medidas de austeridade sobre pensionistas - a chamada TSU dos pensionistas - não seria aplicada, sendo substituída por outras medidas como, por exemplo, uma taxa de 100 milhões sobre a EDP. Em boa verdade, não disse mais nada com interesse, saindo com aquele ar triunfante de quem, mais uma vez, cumpriu, com arte e engenho, o seu principal desígnio: ludibriar o povo.
E a prova demorou apenas dois dias a chegar: após esta triste cena, ficámos a saber que uma versão actualizada da TSU sobre os/as pensionistas estava a caminho, ou seja, o corte nas pensões de sobrevivência.
Mi-se-rá-veis! - é a única palavra que me ocorre, para garantir a elevação discursiva que procuro manter, em tudo aquilo que escrevo...
E, vendo bem as coisas, a posição tomada pela reunião dos bispos portugueses, diz o mesmo, por outras palavras: - é uma medida muito grave, pois penaliza quem não tem alternativa, viúvas e viúvos já sem condições de procurar outras fontes de rendimento; mas, mesmo que as houvesse, no plano social é terrífica, porque são estas pensões que estão a apoiar muitas famílias, cujos elementos foram vítimas do desemprego. É, pois, no plano social e por arrastamento, mais uma catástrofe para quem tem pouco.
Nas contas do Governo, esta medida de rapina contribui com 100 milhões de euros de poupança para o Estado.
Simultaneamente, Paulo Portas (que escondeu esta medida) anuncia, na mesma conferência de imprensa, que o Governo vai taxar de forma especial o sector de electricidade, também no valor de 100 milhões.
Esta manobra de ilusionismo de justiça social tem perna curta.
De um lado, corta-se no dinheiro que garante a sobrevivência, com um mínimo de dignidade, a pessoas que trabalharam e descontaram toda a vida, numa clara violação de um contrato assumido.
Do outro lado, temos uma taxa especial e temporária sobre uma empresa que acumula lucros exorbitantes. Em 2011, os lucros da EDP atingiram 1.125 milhões de euros, em 2012 atingiram 1.012 milhões de euros e, nos primeiros 9 meses de 2013, já atingiram 795 milhões de euros.
Só no ano de 2012, a EDP distribuiu dividendos aos seus acionistas, no valor de 670 milhões de euros.
É a isto que o Governo PSD/CDS chama de ‘equidade social’; é a isto que Paulo Portas chama ‘distribuição equitativa dos sacrifícios’.
Tanta infâmia tem de acabar! O nosso caminho é a luta para pôr estes mentirosos no olho da rua. Vamos engrossar, de forma massiva, as manisfestações convocadas para os dias 19 e 26 deste mês, assumindo a nossa revolta e legitimidade para mandar este Governo para o lixo.