O facto de não ter participado no último Plenário (por motivos de saúde), não me impede de refletir sobre o seu conteúdo, particularmente, no que diz respeito à não renovação de mandato do Conselho de Administração da Unidade de Saúde do Pico.
Nesta polémica, ficámos a saber que os três membros da referida administração eram militantes do Partido Socialista, até porque – como explicaram o GRA e o PS – tais cargos exigem total confiança política. Ingenuidade minha acreditar que estaria em causa, prioritariamente, a competência profissional…
Será que só há pessoas competentes no PS? Claro que não! Atrevo-me, até, a dizer que a maioria não pertence a qualquer partido, mas dá jeito ter a máquina administrativa na mão. Estarei errada?
Segundo o GRA e o PS, a não renovação de mandato deve-se à falta de rigor e de ética, uma vez que este conselho de administração - em particular, a sua Presidente - aumentou o seu salário, em cerca de dois mil euros mensais e com retroativos que representaram cerca de mais 80.000 euros.
Ora, de acordo com documentos apresentados e referenciados, durante o Plenário, não só os serviços do GRA deram parecer positivo e fundamento legal a estes aumentos, como ficou claro que o governo anterior estava a par deste assunto.
Evidentemente que o atual Secretário Regional da Saúde pode ter opinião diferente, mas isso dirime-se em tribunal. E uma pergunta se impõe desde já: o GRA já apresentou, em Tribunal, uma queixa contra as pessoas que, alegadamente, cometeram esta fraude? Aguardo a resposta…
Face à não renovação de mandato, os antigos administradores dizem (e disso fizeram eco público) que se tratou de uma retaliação, por não fazerem os fretes partidários que o PS exigia.
Postas as coisas nestes termos, só havia uma coisa a fazer: chamar à respetiva Comissão Parlamentar todos os protagonistas desta história e, aí, obter os esclarecimentos necessários.
Acontece que o PS, com a sua maioria absoluta, impediu que tal acontecesse, inviabilizando, por exemplo, a possibilidade de perceber a que pressões se referia um dos queixosos, quando as denunciou, no âmbito de concursos públicos para admissão de pessoal?
Por isso, os partidos da oposição reuniram com um dos profissionais visados, o Dr. Luís Nunes. Conhecendo todos/as nós as habilidades que proliferam, nos concursos públicos, nada do que este Senhor nos disse é, propriamente, uma novidade.
Será que o PS não queria ser confrontado com casos concretos e pessoas concretas? O certo é que tenho, na minha mão, um email de um deputado do PS, eleito pelo Pico, sugerindo que a presidente da USIP voltasse atrás, numa determinada decisão, a qual sendo legal, estava a dificultar a feitura das listas autárquicas do PS.
Pergunto: se isto não é ingerência e pressão política, numa unidade administrativa, a favor do PS, o que é então uma ‘ingerência’ ou uma ‘pressão’?!
Inesperadamente, a cereja no topo do bolo vem do Sr. Presidente do Governo, em defesa da sua equipe, do PS e do seu Deputado. O Sr. Presidente esgrime uma carta, como prova de não ingerências, a qual lhe foi endereçada pelo, então, Conselho de Administração, a 3 de Março do corrente ano.
É estranho que um documento escrito por pessoas “completamente despidas de ética, de rigor e de sentido de serviço público” sirva como principal argumento de defesa do GRA e do PS…
Mas, o mais interessante é que, nessa carta, não é afirmado que não houve ingerência. Aquilo que os “despedidos” dizem é que os deputados do Partido Socialista, eleitos pelo Pico, não sabiam, nem queriam saber dos problemas, com que a Unidade de Saúde se debatia, estando bem mais preocupados com a elaboração das suas listas autárquicas!
(a continuar)