Escrevo estas palavras na fatídica noite de 10 de março de 2024. Vejo os resultados a aparecerem no computador e comentários arremessados na televisão. Tenho 22 anos e medo do futuro.
2024 era para ser um ano de festa, um ano para lembrar os horrores da falta de liberdade, de perceber que não se pode dar a democracia como garantida, é uma construção quotidiana. O facto de termos pessoas a sair do sofá para votar num partido que tem uma retórica antagónica à nossa constituição, demonstra como é necessário um debate sobre a nossa organização mais básica.
Intitular este artigo com «fachos» e não «fascistas», advém de considerar que esta onda de ódio vem da frustração e não de uma vontade de implantar o programa do partido de extrema-direita. Não obstante, a discussão de saber se há uma mudança sociológica na população portuguesa (e europeia/internacional), numa viragem à direita, conservadora (mais do que numa perspetiva económica) deve ser estudada.
Os Açores vão ser representados por 5 homens, um dos quais sem propostas, a falar dos filhos dos outros. Eu tenho sérias dúvidas que a maioria dos açorianos se revêm nestas pessoas e isso deve-nos fazer refletir.
Mais do que qualquer palavra que possa escrever, importa a questão: qual o valor da liberdade? Este espaço em branco não é engano, é a tua voz, porque importa, porque é ela que dita o nosso futuro, porque ela não se esgota nas urnas, é tempo de parar e refletir, contrariar a aceleração do mundo.