O Governo regional acabou de aprovar o Plano Estratégico de Marketing do Turismo dos Açores, vulgo PEMTA, um documento inócuo, “limpinho-limpinho”, como diria o Jorge Jesus.
Carregado de anglicismos, como recomenda a seriedade «for papers», ainda que Vitorino Nemésio, Natália Correia ou Machado Pires não o leiam, o que dirão Maria João Ruivo, ou Mota Amaral quando ainda há dias, no Açoriano Oriental de 15 de Agosto, nos dizia:
- ...“eu, em português dos Açores, que a Europa só se fortalece com a variedade e o igual respeito dos seus povos e respectivas línguas.”
Das várias análises que faz, documenta tudo no bom caminho, como a água, na sua qualidade e consumo, ainda que não fale da sua escassez e restrições em alguns locais do arquipélago, situação com tendência a agravar-se, quando a própria legislação aconselha a incorporação de piscinas nos empreendimentos turísticos, e o desafio das alterações climáticas já aí está.
Nem tão pouco dos sistemas de drenagem de águas residuais, escassos, e de mau ou inexistente funcionamento, que têm interditado praias, contaminado ribeiras, e até já a lagoa na Fajã do Santo Cristo, que a dispersão de unidades turísticas, só terá tendência para agravar.
Da eutrofização das lagoas, ou da contaminação dos solos na Terceira, nada refere, muito possivelmente porque nada disto terá a ver com sustentabilidade...
A taxa de risco de pobreza, estará a diminuir, portanto no bom caminho também, mas superior à do continente, e ainda que lá conste, não terá muito a ver com a indústria do turismo, digo eu, porque a Madeira com turismo há cem anos tem-na superior, o que nos deixa a pensar que não beneficiará todos. Nos indicadores da afluência turística também estamos bem, porque a intensidade turística média é de 13,5 dormidas por residente, e a densidade turística média de 1366 dormidas por quilómetro quadrado, valores superiores aos do continente no norte e Alentejo, territórios contínuos, com outra capacidade de carga, enquanto cada ilha é um território circunscrito. E as Flores já têm maior intensidade turística que São Miguel! Sem limites, monitorizando, tasse bem...
Estes valores, na inexistência de transportes públicos adequados em horários e quantidade, impuseram o aluguer de viaturas como solução, excepção para o Corvo, o que conduziu à existência de 158 empresas de “rent a car” (for papers), valor que estará já nas 170, desconhecendo-se a quantidade de viaturas que disponibilizam por ilha, e que deveriam, para o território circunscrito contabilizar-se, apresentando indicadores de referência, verificando a capacidade de carga de cada ilha, o que também não é o caso. Desconhece a candidatura de Ponta Delgada a Capital Europeia da Cultura 2027, que aglutinava os 29 Concelhos, e que produziu a “Estratégia Cultural de Ponta Delgada 2030”, curiosamente para o mesmo horizonte temporal, e que propunha uma estratégia “alinhada com os desígnios regionais contributiva na resposta a desafios europeus e globais partilhados”, que teria reforçado e valorizado a ferramenta que a cultura também constitui, mas que pouco dignificamos. No preambulo promissor afirma, o que consta não ter querido na consulta pública:
...”A participação ativa das comunidades locais, dos empresários e das autarquias no planeamento, na tomada de decisões e gestão do turismo é essencial para garantir a sustentabilidade do turismo nos açores”...