A recente visita de um grupo de deputados à Sinaga , à fábrica do açúcar, em Ponta Delgada, e as suas declarações aos jornalistas, a que o telejornal da RTP Açores deu realce a 21 de Abril, remeteram-me a um trecho de uma das charlas de Raul Solnado:
...”Pois! Disse a minha irmã Georgina que gostava muito de dizer coisas.”...
A necessidade de constar, sem assunto e sem reflexão, tem destas coisas.
Os políticos de há muito, desconsideraram os técnicos os “estudos e mais estudos”, para na sua real gana atalharem conforme e quando, melhor lhes convém, e por isso o planeamento urbano e o do território estão como estão.
Como exceção, contrariando este ambiente de atropelo e irreflexão, quis a Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, em contratacorrente à demolição que então se avizinhava, ou até já se iniciava, encarregar a Secção Regional da Ordem dos Arquitetos, de estudar a perspetiva de requalificação daquele espaço e do da fábrica do álcool, da Sinaga na Lagoa.
O relatório final, então desconhecido daqueles deputados, desenvolvido durante o ano passado de 2025, ficou concluído e foi entregue no final do ano, dele constando todas as etapas do seu desenvolvimento, da concertação pública havida, as perspetivas de reabilitação do património edificado envolvido, bem como as ocupações urbanas possíveis propostas, e o quadro de concursos públicos melhor adequados a levar a efeito para a sua concretização, bem como a análise detalhada das vantagens e inconvenientes de qualquer daquelas opções de concurso.
Pela extensão e importância patrimonial do espaço envolvido, a decisão compreende-se difícil, requerendo reflexão, incompatível com qualquer pressa.
“Qual é a pressa?”.
Existe, conforme também consta do relatório, pela degradação acentuada e progressiva do património edificado aí existente, peça fundamental na fundação da intervenção, que importa salvaguardar.
A experiência recomenda o tempo que a Cidade requer, sob pena, de se tomarem decisões extemporâneas, precipitadas, como a da Calheta, que inicialmente atropelando um concurso de ideias, constrói um primeiro hotel, para na pressa, remetendo definitivamente aquelas ideias à gaveta, com os olhos postos num hipotético e rápido retorno económico, disponibiliza concurso de conceção construção e exploração, sem quaisquer contornos de desenho urbano e arquitetónico, com os resultados daí constantes, acentuadamente marcantes negativamente do tecido urbano.
«ASTA» quando?
Sem qualquer pressa, desde 1999, e vencidos todos os prazos, em 2026 a saga continua, sem fim à vista, contaminando toda a envolvente, onde num horror ao espaço livre, nem passeios deixou, que requeria intervenções cuidadas que não se perspetivam, onde brigam o prolongamento da Avenida D. João III, a ocupação do espaço da ASTA, para não falar no espaço da Fundição da Calheta, cuja salvaguarda pelo andamento da carruagem já não se perspetiva.
As fábricas da Sinaga, do álcool e do açúcar, na Lagoa e em Ponta Delgada respetivamente, requerem pressa na contenção da degradação do património edificado, tarefa que não se afigura fácil, por cara e demorada, para durante a sua execução lançar e adjudicar os concursos de urbanização, nos termos do Relatório efetuado, que então, permitirão a desejável abertura à respetiva cidade, assegurando aquele património, que salvaguardado, se preencha de novas funções.