O Projeto de Resolução, “Projeto de Requalificação e Adaptação das Piscinas de São Pedro para Piscina Olímpica”, recentemente apresentado na Assembleia Regional, com audições em curso, retoma o “lugar de ontem”, porquanto nos idos anos 2000, a Secretaria Regional com jurisdição naquela infraestrutura, propôs-se aos mesmos desígneos de “dotar a ilha de São Miguel de uma piscina olímpica coberta... mantendo a infraestrutura disponível para utilização pela comunidade durante a época balnear”. Aquela Secretaria, conforme então se propôs àquele desidrato, conhecidas as dificuldades de ordem económica, ditadas pelas de ordem técnica, assim o abandonou.
A demolição das populares piscinas naturais de São Pedro, nos idos anos 90, determinada pelo prolongamento da Avenida Marginal, impôs ao projeto dotar a cidade de uma infraestrutura de recreio equivalente, tendo a respetiva Secretaria Regional optado por «uma piscina de 50 metros, com tanque de saltos e uma piscina para crianças», todas alimentadas com água salgada e equipadas dos respetivos balneários, solário e bar. De referir, que o perfil da piscina de 50 metros adotado, foi o de uma piscina de recreio com profundidades variáveis, não correspondente a uma «piscina olímpica», exigente de outro perfil.
A dupla utilização, enquanto «piscina olímpica coberta», e de recreio na época balnear, impunha então, cobertura amovível, situação tecnicamente muito difícil, por extremamente onerosa, e penalizante da versão para que tinha sido criada. A esta dificuldade acrescia a necessidade de adução, aquecimento e tratamento para água doce, a integração de água quente para os balneários, e a climatização do espaço de toda a infraestrutura, com especial relevo para o imprescindível aquecimento na época de inverno.
A competição, o treino de atletas, ou a simples aula de natação para crianças, exigia ainda a presença de bancada de público. Este conjunto de infraestruturas requeria ainda a construção do respetivo espaço técnico para os equipamentos. Se a estas dificuldades, requerentes de custos exorbitantes, manutenção onerosa e tecnicamente muito exigente, acrescentarmos a incompatibilidade do recreio, com aulas de natação, com o treino de atletas, e as suas competições ocorrentes com maior assiduidade no verão, não “garantindo...a compatibilização da utilização desportiva da infraestrutura com a sua fruição pela população durante a época balnear”, a que acrescenta a presença de um volume opaco de dimensão considerável, que nos ensanduicha a avenida e corta o horizonte, temos a razão do abandono de então.
Conhecendo a desconsideração atual pelas manutenções, ditada pelos custos inerentes, que nos deixam por exemplo elevadores inoperantes em edifícios públicos no incumprimento das acessibilidades, ou os tetos que caem e pulverizam o chão de panas para receber a água que entra, os pilares sorridentes mostrando as armaduras, as paredes que choram ferrugem, ou as climatizações desligadas quando as janelas não abrem, ou até mesmo as quedas de água de animação da pequenada das piscinas das crianças de São Pedro, de que aqui falamos, que nunca são ligadas por avaria dos equipamentos ou custos inerentes, ou a queda do cata-vento metálico do edifício do controlo da marina, julgo prudente a “decisão de ontem”.
O projeto proposto serve-se de uma piscina de 50 metros, cujo perfil não é o olímpico, com as consequentes implicações para competição, requerendo toda a construção a ele inerente, inviabilizando a infraestrutura que ali, ainda opera, fazendo-me lembrar a situação económica de aproveitamento do espaço do cone vulcânico da Mata das Feiticeiras...ou as piscinas do Nordeste e da Povoação, ambas cobertas, e que nunca abriram... Como complemento das audições que no âmbito do Projeto de Resolução ainda decorrerão, recomendo aos diferentes intervenientes a leitura prévia do artigo do Engenheiro Vítor Fraga, publicado no Correio Económico, edição do dia 25 de Setembro, “Construir é só o começo”.