Assim não, Dr. Vasco!

 

Durante a discussão do Plano e Orçamento para 2012, o Presidente da JS-Açores e líder parlamentar do PS na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores manifestou-se indignado pelo facto do Governo da República mandar retirar – roubar, digo eu – os subsídios de férias e Natal aos funcionários públicos, implicando com essa decisão a falta de vinte milhões de euros – segundo os seus cálculos – na economia regional. Estranhei o cálculo “por baixo” e a falta de referência a outros efeitos como, por exemplo a diminuição da arrecadação de impostos. O valor é maior e o impacto é bem superior, superando números mais elevados. Então porquê tanta indignação política a contrastar com a minimização económica subjacente?

Estranhei, mas não entranhei porque logo percebi que o Governo Regional tinha aproveitado a oportunidade para redistribuir a dotação, já prevista para pagamento destas remunerações, por outras rubricas, da forma que melhor lhe aprouvesse. Foram, assim e infelizmente, fundados os meus receios. Sem explicação credível, o Vice-Presidente Sérgio Ávila, muito a custo, de forma enredada – bem a seu jeito –, entrelinhada e confusa, lá admitiu que o nosso Estatuto Autonómico não obrigava o Governo Regional a ser cúmplice neste roubo, mas fê-lo, para desgraça de muitos e gáudio de uns poucos, em nome duma solidariedade que, agora se comprova, só funciona num sentido.

Perante a declaração irrevogável do Tribunal Constitucional relativamente à reincidência do saque que o Governo do PSD/CDS, na República, escandalosamente se preparava para repetir no Orçamento do Estado para 2013, o Dr. Vasco Cordeiro vem, apressadamente, dizer que o “Governo dos Açores pagará com gosto mais um subsídio”. Justifica-se, de forma enganosamente deliberada, não o ter feito antes, dizendo que “não tinha poderes, ao abrigo da autonomia, para ir em sentido diverso”, quando sabe perfeitamente que os tinha e que o governo anterior de que fez parte o admitiu.

O ditado popular diz que “a memória do Povo é curta”, e disso se valem os políticos menos honestos. Mas, Sr. Presidente, não o tendo nessa conta, não esperava tanta maldade da sua parte. Lembro-lhe que escrevi, por duas vezes, nestas páginas, sobre o que esperava de si e do governo a que preside, manifestando-lhe sinceros desejos de boa governação. Infelizmente o período de nojo já vai longo e os atropelos multiplicam-se em áreas cruciais no desenvolvimento da nossa Região.

Assim não Dr. Vasco. O Senhor está a seguir de forma mais suave, é certo, mas igualmente peregrina, as pisadas do PSD e do CDS. Peço-lhe que arrepie caminho.