Para uma nova Angra do Heroísmo

 

Angra do Heroísmo é uma cidade entupida de trânsito automóvel, não só devido ao comodismo que o automóvel privado propicia, mas também, porque os decisores públicos não tiveram coragem em, pelo menos, ensaiar algumas soluções integradas, numa visão global do que se pretende para o futuro da nossa cidade.

É consensual que o centro histórico não está preparado para receber trânsito automóvel, muito menos, o volume que se regista atualmente, sendo urgente que sejam tomadas medidas que aliviem, significativamente, o caos, em que as principais artérias se encontram durante alguns períodos do dia.

É fundamental investir em alternativas ao automóvel privado, no acesso ao centro histórico. Os itinerários dos mini-buses deverão ser alargados às freguesias limítrofes da cidade (Santa Luzia, bairro da Carreirinha e São Carlos), dever-se-á dar melhores condições ao movimento de bicicletas no centro histórico e os peões deverão ser o(a)s privilegiado(a)s na nova dinâmica citadina.

A criação de mais parques de estacionamento, nas zonas limítrofes do centro histórico está longe de ser uma solução ideal, pois a solução ideal passaria pela redução da utilização deste meio de transporte. Todavia, ‘Roma não se fez num dia’ e os hábitos mais enraizados são de difícil modificação, pelo que é fundamental que se criem estes espaços que aliviarão o trânsito automóvel do centro histórico.

A zona dos antigos celeiros de Angra é um dos muitos ‘monstros’ da cidade e poderia ser adquirida pela autarquia, através da negociação, com os atuais proprietários, para a sua aquisição por um preço justo, para que pudesse ser transformada num parque de estacionamento, com algumas zonas verdes e servida por mini-buses.

Para já, a Rua da Sé poderia ser encerrada ao trânsito durante o fim-de-semana (a tarde de Sábado e o Domingo) para que a principal artéria de Angra pudesse ser a ponto de encontro do(a)s angrenses e terceirenses na sua cidade património mundial.

O atual mercado Duque de Bragança necessita de ser reabilitado, para oferecer melhores condições aos seus comerciantes e clientes, os quais não podem ser esquecidos, no processo de idealização deste espaço, mas sem que deixe de estar enquadrado na cidade, a qual tem todas as condições para atrair pessoas para lá viverem e para ser um centro comercial vivo, ao contrário da artificialidade dos centros comerciais tradicionais.

É necessária a colaboração de todo(a)s, moradore(a)s e comerciantes para que se proceda a um melhor planeamento habitacional e comercial do centro histórico, que seja, por um lado congruente com a sua História e, por outro lado, congruente com os critérios de organização de uma zona comercial, onde as lojas não surgem por mero acaso.

Apesar de todos os esforços para reanimar o comércio local, não podemos esquecer que são as políticas de austeridade impostas pelo PSD/CDS, o principal fator para o definhamento do poder de compra. Mais uma razão, para não acreditar em quem assume candidaturas do PSD e do CDS e, simultaneamente, diz não ter nada a ver com o PSD e o CDS.

Em suma, as mudanças são necessárias, mas a vontade e a ousadia não abundam, pois interessa, muito mais, manter o status-quo disfarçado com intenções redondas que escondem o medo da mudança e que insistem nas inevitabilidades e no futuro predestinado dos sábios sabidos do nosso burgo.