Como tal, espera-se que os nossos governantes, tanto a nível regional como nacional, se manifestem a favor da sua suspensão — até que Israel respeite os direitos humanos. Tanto Espanha como a Irlanda já defenderam esta suspensão, que causaria graves problemas à economia israelita. Aproveitemos a proximidade a Israel para defender, com dentes mas sem armas, os direitos humanos.
Assim, o Estado subsidia os lucros absurdos da BENCOM — porque só com a compensação tarifária pode a EDA comprar-lhes o combustível a preços tão altos — e, ainda, os da EDA. O GB ganha duas vezes; o erário público perde duas; e a boa-fé dos contribuintes diminui.
Trata-se de uma estratégia concertada de manipulação dos sentimentos viscerais das pessoas: “ricos sempre os tivemos, e sempre trabalhámos para eles — mas vir aquele tipo e passar-me à frente é que não!”. Nos Açores, e não só, estas retóricas só servem para iludir as pessoas.
Numa época em que a lei parece ser a da força, cabe-nos — cabe-vos — defender os direitos humanos e o direito internacional. Estamos atentos. Tenham coragem.
No final da faixa “Pela Música Pt2”, do álbum Serviço Público, Sam the Kid faz um apelo: “Não tragam pudim, o pudim já está na mesa. Tragam arroz doce, falta arroz doce!”. Nesta música, é feita uma crítica feroz à indústria musical instalada, movida por interesses financeiros — o “pudim” —, e alimentada a esperança numa alternativa emancipatória: o arroz doce.