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Opinião:

  • Assumem-se como contrapoder dedicado ao escrutínio de sistemas de opressão e recusam o mito da neutralidade, expondo abertamente as suas subjetividades. Num momento em que a generalidade dos media nos afoga em tolices e comentariado estupidificante, o Fumaça aposta na alternativa: fala de trabalho e precariedade, de migração, de saúde mental. Assim, o nome escolhido — invocando a frase “É apenas fumaça!”, proferida por Pinheiro de Azevedo em novembro de 1975 — cheira a provocação à concorrência.

  • Ninguém exige a Bolieiro nem a Cabral que se disponham a defender a base de pistola na mão. Aliás, se Trump decidir tomar as Lajes, o melhor talvez seja nem pôr lá soldados. O inadmissível é antecipar-se à derrota e juntar-se ao agressor para fingir força. Traindo a nossa história, este governo sujeita-se — e sujeita-nos — o mais que pode.

  • Dezenas de pessoas sentam-se para o iftar, a refeição com que os muçulmanos quebram o jejum diário durante o Ramadão. Em volta, até ao horizonte, uma cidade destruída. E mesmo assim: a mesa posta, as luzes coloridas acesas, a comunidade reunida e pronta para celebrar, para viver.

  • Pelos Açores, registou-se não só um grande número de movimentos de aeronaves militares norte-americanas, como também a repugnante e habitual submissão bolieirista face aos interesses de Trump e Netanyahu. 

  • A nossa região é a mais desigual de Portugal (tanto segundo o índice de Gini como o rácio S80/20) e apresenta taxas de pobreza e exclusão social comparáveis às da Roménia e da Bulgária. E, em Portugal, não temos impostos sobre o património, salvo o IMI, que ignora a maioria dos ativos e não considera dívidas.

  • Enquanto aceitarmos que há reféns de primeira e reféns de segunda, que há cadáveres que contam e cadáveres que não, enquanto aceitarmos a ocupação e o apartheid, nenhum cessar-fogo nos absolverá da cumplicidade.

  • É preciso repensar a economia, voltando aos fundamentos: que modos de organização nos permitem, enquanto sociedade, usar os recursos de que dispomos — ambientais, humanos e tecnológicos — para vivermos com conforto, saúde, e sustentavelmente? E como evitar que voltemos a pagar pelas bolhas que alguns vão criando?

  • Faz falta uma maior pressão popular no que toca a estes assuntos. Os dados estão à vista, as soluções são conhecidas — resta mobilizar a sociedade civil para que os decisores políticos ajam. Mãos à obra!

  •  Aplica-se aqui a máxima das empresas tecnológicas: se não estás a pagar pelo produto, és o produto.

  • Como tal, espera-se que os nossos governantes, tanto a nível regional como nacional, se manifestem a favor da sua suspensão — até que Israel respeite os direitos humanos. Tanto Espanha como a Irlanda já defenderam esta suspensão, que causaria graves problemas à economia israelita. Aproveitemos a proximidade a Israel para defender, com dentes mas sem armas, os direitos humanos.