A bipolaridade dos graúdos

Dia 25 de abril concretizam-se seis meses desde as eleições regionais e ainda nenhuma análise acerca da participação da juventude nelas foi feita. São os jovens desprezáveis para as contas ou inconvenientes?

Permitam-me usar estas linhas enquanto um aprendiz da vida com 18 anos que pretende descobrir-se a si e aos outros, encontrando o seu espaço nesta realidade e sendo útil para aquilo que é o bem comum. 

Não são raras as vezes em que ouvimos afirmações do tipo: «os jovens não se interessam»; «os jovens nunca se chegam à frente» ou «esta geração só olha para ecrãs». Mas até que ponto são verdade? Até que ponto não existe um fundo de hipocrisia nestas afirmações?

Analisemos este assunto em duas perspetivas: eleitores jovens e candidatos jovens, respetivamente.

Nestas regionais tivemos mais 1 000 eleitores inscritos e 11 000 votantes do que em 2016. É interessante notar que existiram 3 500 pessoas a votar antecipadamente, o que corresponde a 1,5% dos inscritos e 3,4% dos votantes. Penso ser importante denotar estes factos, quando a descida da abstenção foi na ordem dos 4,5%. Ou seja, aqueles 1,5% de votos antecipados podem explicar esta descida. A isto acresce que: grande parte dos votos antecipados foram requeridos por jovens estudantes. Isto leva-nos a perguntar: os jovens não votavam simplesmente por desinteresse ou porque os mecanismos eram demasiado burocráticos? Este aumento do voto jovem (infelizmente sem estatísticas diretas que o comprovem) não deve passar despercebido e deve estar presente na nossa mente quando se fala na importância da agilização e facilitação do acesso ao voto.

Existe, efetivamente, uma parte da população jovem alheia da causa pública, mas existe uma parcela, com expressividade, que demonstra interesse. A Greve Climática Estudantil é um claro exemplo disso. E o que ouvimos dizer sobre o assunto? São muito novos. Isso é justamente também aquilo que eu mesmo ouvi.

Tive a honra de encabeçar um projeto político em Santa Maria nestas regionais. Com 18 anos, fui o cabeça-de-lista mais jovem e o segundo candidato com menor idade. Por isso mesmo tenho noção da perspetiva com que parte dos eleitores viram uma candidatura jovem.

Existe, portanto, uma notória contradição entre a afirmação da necessidade de jovens nos quadros políticos e a crítica à inexistência de experiência como motor de desqualificação. Só um dos argumentos pode ser usado. Ao enveredar pelo primeiro temos de explorar a falta de rotatividade das pessoas e o envelhecimento de quem detém o poder. Em relação ao segundo, aquele a que pretendo dar destaque, temos a necessidade de perceber que a experiência só se cria quando se “deita as mãos à massa”. A partir do momento em que não permitem aos jovens ocupar lugares, então não é expectável que consigam ganhar experiência. Parece um claro paradoxo, não?

É óbvio que só uma parte da população adulta incorre nestas incoerências, sendo muitas vezes, justamente, aquela que se sente ameaçada por gente com novas ideias, expectativas e motivações. A verdade é que contra as expectativas conseguimos, em Santa Maria, bater uma marca que remontava a 1984. Apesar de se fazerem notar as críticas, a verdade é que há esperança para rejuvenescermos o panorama político regional.

O futuro pertence aos jovens.