A Câmara da Horta a ajudar o Governo a enganar os faialenses?

Quem me lê conhece o projeto da variante, a altura dos taludes?

No dia 27 de janeiro, neste mesmo espaço, tracei na medida do que é possível em texto, os principais problemas de um projeto que quase ninguém viu, conhece ou entende os seus impactos. Ainda antes disso, a Associação de Pais da Escola Secundária Manuel de Arriaga veio a público mostrar descontentamento pelo enclave a que a escola fica sujeita, com uma rotunda mesmo à entrada. Logo depois, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda Açores apresentou ao Governo um requerimento em que questionava acerca da apresentação e consulta públicas deste projeto. Porque este, na sua versão final, nunca foi convenientemente apresentado, nem a população questionada a seu respeito.

 

Uma reunião interna a fingir que foi uma apresentação pública?

No passado dia 16, decorreu uma reunião entre o Presidente do Governo, José Manuel Bolieiro com a Câmara da Horta. Dela saíram declarações de Bolieiro afirmando que o projeto já era bom e “ficou melhor com o diálogo entre todos”. A ideia que passou para a comunicação social foi que teriam havido alterações recentes ao projeto, nomeadamente na questão da escola, pois é dito que o projeto não “apresenta constrangimentos ao desenvolvimento de um projeto” da ESMA (seja lá o que isso queira dizer). Mas não, isto foi o governo a fingir que apresentava publicamente as alterações que já tinham sido feitas no ano passado e que ficaram patentes no projeto final. Ou seja e indo ao que interessa: a escola continua num enclave e com rotunda plantada à porta e a estrada com os taludes de quatro metros em altura a rasgar o bairro das Dutras.

 

Mas qual diálogo, Sr. Presidente? E que transparência?

Se o senhor presidente do Governo tivesse falado com os moradores do bairro por onde passará esta estrada ou com os pais dos alunos da escola, poderia alegar ter havido diálogo. Mas não foi isso que aconteceu. Governo e Câmara da Horta reuniram entre si à porta fechada e disseram o que entenderam à comunicação social, querendo matar três coelhos de uma só vez: poder responder ao requerimento do Bloco a dizer que as alterações tinham sido apresentadas publicamente, enganar os faialenses afirmando que a questão da escola estava solucionada e finalmente fingir que tudo tinha sido feito com muito diálogo e transparência.

 

A CMH é cúmplice no gesto

O centralismo do Governo dos Açores, que neste aspeto é idêntico ao anterior, é amargamente conhecido pelos Faialenses. Nisso, este gesto desperta azedume, mas menos surpresa. Que o presidente da Câmara da Horta seja coadjuvante na ação, atropelando as queixas de moradores e da comunidade escolar, já é mais surpreendente e revoltante. Esperar-se-ia de Carlos Ferreira que fosse o primeiro interessado em promover o diálogo entre o Governo e os seus munícipes e em discutir publicamente o projeto de modo a que possa servir a função urgente para que é destinado, mas sem criar novos problemas a nível das comunidades.