Década após década, pioramos dia após dia.
Segundo os últimos dados da Eurostat, os jovens portugueses são dos que mais adiam a saída da casa dos pais, em média, por volta dos 30 anos. No norte da Europa, vemos um cenário distinto, em que os jovens são incentivados a saírem de casa aquando do ingresso nas Universidades, onde são confrontados com a realidade de partilha de quartos em casas comuns ou residências universitárias, recebendo apenas uma mesada e sendo assim, “obrigados” a gerir o seu próprio fundo de maneio. Cá por Portugal, esta realidade pese embora cada vez mais utilizada, em que já lá vai o tempo que se saía de casa dos pais, por necessidade de ajudar com trabalho, para colocar o pão na mesa, porém ainda existe muito vincadamente a ideia na sociedade portuguesa que os pais têm a obrigação de bancar totalmente os meninos enquanto estão na faculdade, para não falar de quando estas oportunidades não são aproveitadas por eles próprios.
Apesar desta, gradual e tímida mudança da nossa sociedade, parece que nada se alterou em bom rigor, porque, segundo as estatísticas, facto é que os os jovens portugueses continuam a permanecer em casa dos pais até aos 30 anos. Isto é, ainda que se adote um modelo durante a faculdade facto é que muitos regressam à casa dos pais. E agora vejamos, fatores e causas podem ser alguns, nomeadamente, o mercado de trabalho e a pouca oferta, os baixos salários auferidos, os problemas com as dependências, a falta de maturidade, etc. Porém, facto é que não se tem vindo a alterar nem tão pouco se espera que melhore, isto até porque a própria conjuntura assim não o permite, e o Estado não o tem proporcionado. O foco está nos últimos governos, que nada tem feito no sentido de alterar este cenário, aproximando-nos de países como o norte da Europa, onde persistem economias saudáveis e em constante mutação.
Passamos por dois anos terríveis de pandemia, e quando pensávamos que iriamos conseguir respirar de alívio, avizinha-se e aproxima-se outra crise, gerada pela Guerra na Ucrânia. Os efeitos desta guerra, serão avassaladores para as economias e sobretudo para as famílias, que não irão aguentar com as sucessivas escaladas de aumentos dos preços dos produtos de primeira necessidade.
Na verdade, vamos sim assistir a um retrocesso na emancipação dos jovens e em outros casos o regresso dos jovens a casa dos pais.
Urge, desta forma, a necessidade de implementar políticas locais para assegurar a habitação acessível permanente para os seus jovens, bem como uma adequação do mercado de trabalho para os mesmos. E atenção, repare-se que estas medidas deveriam passar pela ponte entre as universidades e a oferta de emprego, que é um fator principal para o regresso à casa de morada de família, ao que acresce a oferta educativa em áreas do mercado já saturadas, o que de facto deveria ser alterado e adequado.
Esta foi uma reflexão que fiz, e uma preocupação que me assiste enquanto pai que um dia, num futuro que não será tão longe assim, terá de preparar dois seres para o mundo, e com isso, confesso que me preocupa o facto de eles poderem vir a achar que tem sempre a casa do pai ou da mãe para regressar. De fato tem, porém não é o objetivo. O objetivo é que por eles próprios tenham a iniciativa de querer ser independentes, e mais, que o próprio Estado (que é a quem cabe o ónus) o proporcione, de modo que tantos jovens, em que os incluo, se autonomizem sem medos ou retrocessos