Com a Catarina Martins

Não tive dúvidas sobre em quem votar nas próximas presidenciais desde que a Catarina Martins apresentou a sua candidatura a Presidente da República.

Perante um mar de candidatos do centro, da direita e da extrema-direita, é a Catarina que representa quem não se resigna perante um país profundamente desigual, marcado pelo agravamento das falhas do Estado, representa quem todos os dias sai de casa para fazer o país funcionar.

A Catarina Martins tem um percurso pleno de garantias. Lutou e venceu os cortes da troika no Tribunal Constitucional; trabalhou na construção de uma maioria contra as políticas de Passos Coelho; negociou a reposição de rendimentos e o fim da austeridade. Esteve sempre ao lado dos Açores e da autonomia e é a única candidata que subscreveu um projeto de revisão constitucional que garantia os direitos dos Açores sobre o mar e a extinção do cargo de Representante da República.

O passado dá-nos pistas sobre o que farão os candidatos no futuro. Mas é pelo futuro que decido entregar o meu voto à Catarina.

Nesse futuro, a prioridade é construir um país que garanta dignidade no trabalho, acesso universal à habitação, saúde, educação e cultura, combatendo desigualdades e discriminações.

Um futuro em que a democracia deve ser devolvida ao povo e protegida por ele, enfrentando poderes opacos e recentrando efetivamente a decisão política na vida das pessoas.

A candidatura da Catarina é um compromisso com esse futuro: um país preparado para a transição climática, com uma economia renovada, um território coeso e uma voz internacional firme pela paz, pelo multilateralismo e pelos direitos humanos.

À direita, os candidatos acotovelam-se para serem parceiros do Governo da AD — o governo para quem 2300 euros é considerado uma renda moderada e que ataca os Açores com o seu indisfarçável e persistente centralismo.

No centro, Seguro é indefinido, classifica os ideais como “gavetas”. Com Gouveia e Melo, o rumo é incerto; só os tiques autoritários são seguros. A extrema-direita só quer, nesta eleição, mais um palco na sua caminhada para atacar a democracia.

Uma democracia não sobrevive se os votos forem sempre no mal menor. A esperança num país melhor, com uma Presidente que cuida da democracia, constrói-se quando o voto é nas ideias e nas pessoas em que acreditamos. E eu acredito na Catarina e nas suas ideias.