Em Novembro do ano passado escrevi um artigo que começava assim:
”A 3ª GUERRA MUNDIAL
O Mundo está em guerra. É a 3ª Guerra Mundial; não nos moldes tradicionais, não com metralhadoras, granadas e canhões, corvetas e submarinos, aviões e helicópteros; nem sequer com armas químicas, a bomba atómica ou outras de destruição massiva. Não, não se trata duma guerra convencional, trata-se duma guerra em que todo o material bélico se resume num único substantivo: DINHEIRO. É uma guerra onde a causa (o dinheiro, ou a sua falta) se confunde com os meios bélicos utilizados (mercados: dinheiro; especulação financeira: dinheiro; aumento de juros: dinheiro; aumento de impostos: dinheiro; …: dinheiro).”
Uma guerra tem como objetivo subjugar alguém à vontade ou interesse de outrem e, nesta guerra que estamos a travar, sem que muitos de nós tenha consciência dela, o dinheiro confunde-se entre arma e finalidade.
Começam pela alteração dos valores, da política e dos meios de vida duma sociedade, incutindo a substituição da luta pela qualidade de vida e do bem-estar social pela ganância egoísta de ganhar dinheiro a qualquer custo; a democracia dos povos pela ditadura dos mercados; a educação, a saúde e o direito ao trabalho pela especulação bolsista, as companhias de seguros e o poder dos bancos. Pretendem, com esta inversão paradigmática, no mais curto espaço de tempo, conquistar todos os bens essenciais e fontes económicas do país.
Esta é a logística que proporciona os meios e custeia todas as despesas, a expensas das próprias vítimas, e está alicerçada na tática de dominar todos os bens de produção e sectores da economia, sabotando-a e subjugando-a ao poder político corrupto e à especulação financeira. Para isso, tratam de mentalizar as pessoas para a inevitabilidade de pagarem cada vez mais e ganharem cada vez menos.
Aproveitar a vaidade e a inveja das pessoas, enaltecendo o despesismo e fomentando os pedidos de empréstimos aos bancos faz parte do seu estratagema de guerra psicológica. Políticos, jornalistas, economistas, comentadores e realizadores constituem o exército que através dos órgãos de comunicação social, sondagens de opinião e agências de “rating” intoxicam e formatam, diariamente, a mentalidade menos avisada.
Evitam falar em despedimentos e fome; aumento de impostos; baixa de ordenados e pensões; dívidas; incumprimentos, mentiras e falsas declarações de governantes; vencimentos criminosos de gestores públicos; importações desnecessárias de bens de luxo; produtividade; agricultura; pecuária; pescas; indústria; corrupção; justiça. Preferem discutir futebol; figuras públicas da “socialite”; modelos e desfiles de moda; pequena criminalidade; controvérsias; mesas redondas; programas de culinária; telenovelas e concursos da TV. Publicitam incessantemente cotações da bolsa, lucros bancários; fazem a apologia de políticos neoliberais; presidentes de bancos; vida e obra dos mais ricos; sucesso de futebolistas; maravilhas da liberdade dos mercados.
Desviando as atenções da discussão para o supérfluo, enquanto vaticinam o principal como inevitável, conseguem, deste modo, obter o domínio político, financeiro e dos meios de produção à custa das próprias vítimas. É um plano estratégico sórdido e perverso, mas que infelizmente está a resultar.
Para além desta pérfida logística, esta maléfica engrenagem ainda obtém outras receitas criminosas a partir dos negócios mundiais da droga e da venda de armas, do apoio ao mundo do crime, da venda de influências e dos juros dos empréstimos agiotas sobre a dívida soberana dos países sob ataque.
A estratégia de conquista passa, como já referi, por se apossarem das fontes de produção e do capital financeiro; privatizar as empresas estruturais e fornecedoras de bens únicos de forma a controlar a energia, os combustíveis, transportes e comunicações, ao mesmo tempo que especulam os juros de empréstimos e estrangulam as pequenas e micro empresas; destruir toda a economia do sector primário – agricultura, pecuária e pescas – desmantelando, assim, toda a indústria subjacente; obrigar a empréstimos bancários das empresas e particulares e ao endividamento do Estado para ocorrer às situações de estagnação económica e desemprego daí decorrentes.
Finalmente, fomentar a guerra entre pobres e miseráveis, velhos e novos, empregados e desempregados, trabalhadores do sector público e do privado é a cereja sobre o bolo que irão repartir no festim que comemore a subjugação do país a este sórdido estratagema.
E, ainda, há quem dê o benefício da dúvida e espere que a nossa situação melhore antes das eleições autárquica do próximo ano!?