No próximo domingo, dia 24, somos chamados a escolher quem irá ocupar nos próximos 5 anos o cargo de Presidente da República. Na verdade, milhares de portugueses já votaram no passado domingo através do voto antecipado e em mobilidade, forma de votação cada vez escolhida pelos portugueses e que pode e deve ser melhorada e reforçada em futuros atos eleitorais.
Nestas, como em todas as outras eleições, não existem vencedores antecipados nem resultados predestinados. Não vale a pena por isso ler sondagens como resultados mas sim votar em quem consideramos que deve ser presidente com base nas suas ideias e propostas.
Marcelo Rebelo de Sousa parte certamente em vantagem para estas eleições, mas não está eleito. Marcelo Rebelo de Sousa não foi o presidente que o país precisa e não pode ser o candidato em quem, quem se preocupa com os direitos laborais, com o reforço dos serviços públicos - principalmente do Serviço Nacional de Saúde - e com o futuro do planeta deve votar.
Relembro que o atual presidente não esteve do lado dos trabalhadores quando o PS e PSD se uniram para aumentar o período experimental. Não utilizou o veto político para defender quem trabalha e para impedir o aumento da precariedade. Hoje sabemos que são os trabalhadores precários os mais afetados pela crise. Assim, Marcelo Rebelo de Sousa contribuiu para aumentar a situação de fragilidade de quem trabalha em plena crise. Na atual crise sanitária, o atual Presidente nunca foi capaz de defender a requisição civil dos hospitais privados, quando os hospitais públicos lutam diariamente com a enorme pressão causada pela pandemia.
A vasta esquerda deste país, que se preocupa e defende os direitos laborais, não pode fechar os olhos e colocar a cruzinha ao lado da foto de Marcelo Rebelo de Sousa.
Mas nestas eleições também estão em causa decisões que terão influência no cenário político dos próximos anos.
Muita gente de direita, zangada com o atual Presidente da República, pensará em votar noutros candidatos desse campo político. Mas ao votarem na extrema-direita dão força às forças que querem colocar em causa a democracia.
A campanha da lama que o líder da extrema-direita, albergue de fascistas e racistas, desenvolveu é um dos pontos mais baixos da democracia portuguesa. Mentiroso compulsivo, qual Trumpzinho dos pequeninos, Ventura ultrapassou todos os limites da decência e do respeito pelos direitos humanos. Nunca o ódio foi presença tão constante numa campanha política no Portugal democrático. Do racismo, ao machismo e à simples barbárie de defender que se devem cortar as mãos como pena pelo furto, não houve linha vermelha que não fosse ultrapassada. Nenhum democrata deve votar naquele proto-ditador.
À esquerda, felizmente, houve quem não faltasse à chamada para se apresentar como alternativa a Marcelo e para bater-se contra o ódio. Há quem ache que deveria existir apenas uma candidatura à esquerda para que não se corresse o risco de a extrema-direita reclamar um possível segundo lugar. Mas essa lógica é perversa pois significa que se deveria abdicar de apresentar alternativas para o país, ainda para mais numa eleição em que podem ser necessárias duas voltas.
Os votos à esquerda somam, não subtraem. A existência de opções distintas com programas e personalidades diferentes significa mais mobilização para a campanha e para o voto e não menos.
Para mim, a opção certa nestas eleições é a Marisa Matias. O seu trabalho como eurodeputada e a sua campanha centrada na saúde, nos direitos laborais, no ambiente e na luta contra o racismo e o machismo não deixa dúvidas. No domingo o meu voto é na Marisa, para que possamos ter #vermelhoembelém.