A crise dos combustíveis nos Açores expôs, mais uma vez, a incapacidade do Governo Regional para responder à urgência da situação.
Em março, o Bloco apresentou propostas concretas para mitigar o impacto nos orçamentos das famílias e na economia. A proposta foi aprovada. Mas o Governo limitou-se a uma redução tímida do ISP em abril e ficou inerte quando, em maio, os preços voltaram a disparar. O alheamento face às dificuldades das pessoas é evidente.
A inação torna-se ainda mais incompreensível quando há margem para agir. A receita do ISP aumentou até março; o Governo arrecada mais e tem instrumentos para intervir. Ainda assim, mantém níveis de imposto superiores aos praticados em momentos anteriores de crise, como a que resultou da guerra na Ucrânia.
E, quando fala, fá‑lo de forma errática. Num dia, anuncia aumentos; no outro, admite possíveis reduções. É uma gestão ao sabor do momento, desligada da realidade de quem todos os dias precisa do carro para trabalhar, de quem depende do combustível para produzir ou de quem ainda não tem alternativa ao gás em casa.
Foi neste contexto que o Governo, pressionado pelo debate promovido pelo Bloco, apresentou medidas avulsas. Medidas poucochinhas, que falham na dimensão e no alcance.
Ao mesmo tempo, continua por aplicar um conjunto de decisões que poderiam aliviar o custo de vida. Os passes de mobilidade aprovados em 2023 continuam por implementar. Permitiriam tornar gratuitos os transportes para jovens e idosos e reduzir os preços para a generalidade das pessoas. Já os apoios à transição energética são limitados e as candidaturas ficam emperradas na administração pública.
A Região prova todos os meses que tem capacidade de intervenção: define preços máximos, ajusta a fiscalidade e regula o mercado. Nos Açores, o que falta não são instrumentos — é vontade política para os usar em favor das pessoas.
Enquanto isso, os açorianos pagam a fatura. Pagam mais para se deslocar, para trabalhar e para viver, numa altura em que salários baixos e habitação cara já absorvem grande parte do rendimento disponível.
Se há momento para agir, é agora. O próprio presidente do Governo já disse que prefere um euro no bolso dos açorianos do que nos cofres da Região. Pois bem — este é o momento de o provar.