A esperança numa nova Presidente

Nos últimos 10 anos aprendemos o que é ter um Presidente da República de direita e, nos últimos 4, o que faz a direita com um Presidente, uma maioria e um governo. O Presidente da República tem um leque limitado de poderes mas tem uma incumbência especial: defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. Cavaco decidiu ignorar essa incumbência, promulgando orçamento atrás de orçamento inconstitucional. Cavaco, o mais antigo político em funções em Portugal e o que mais responsabilidades políticas tem, arrasou a sua credibilidade e feriu o cargo de Presidente da República. A sua tentativa, após as eleições de 4 de outubro, de excluir do poder 1 milhão de eleitores foi a confirmação do fim da carreira política de Cavaco.

Chegamos pois à hora de eleger um/a novo/a Presidente. Confesso que não sou adepto de cargos unipessoais: o poder raramente ou nunca deve estar nas mãos de uma só pessoa. Mas é neste quadro que trabalhamos e por isso é fundamental termos um/a Presidente de confiança, com posições firmes e que defenda a Constituição e os direitos que esta consagra. Pouco me interessam os currículos dos/as candidatos/as, as eleições não são entrevistas de emprego e o cargo de Presidente da República não é um prémio de carreira.

É por isso que nestas eleições presidenciais votarei em Marisa Matias. Irei votar na Marisa porque é nas suas posições políticas que me revejo. É no combate às desigualdades, na defesa dos serviços públicos universais e gratuitos, na defesa das pessoas e não da finança que me revejo. É para ter uma presidente que defenda convicta e consequentemente valores como a igualdade e a solidariedade, que cumpra e faça cumprir a Constituição e não esqueça o seu compromisso com as pessoas que irei votar.

Quero uma Presidente com convicções sólidas e coerentes e que não deixa de afirmar as suas posições. A vida é feita de escolhas e todas elas têm consequências. Por isso temos de conhecer como se posiciona quem irá ocupar a presidência e temos de confiar nessas posições. Não quero um Presidente que diga tudo para ser eleito, mesmo que isso seja contrário ao que sempre defendeu. Marcelo, apoiante de sempre de Cavaco, seria um Presidente mais simpático do que o atual mas fecharia os olhos, da mesma forma que Cavaco, às leis inconstitucionais em nome de qualquer interesse. E um Presidente assim não podemos ter novamente.