As últimas semanas têm sido férteis em anúncios do Governo Regional — anúncios de adiamentos.
Depois do incêndio no HDES, recuperar o hospital e trazê-lo para o século XXI parecia ser a prioridade. Entretanto, construiu-se o “hospital modular”, que o Governo jura ser temporário, mas já ninguém acredita. Ao mesmo tempo, a Secretária Regional da Saúde adia para 2027 qualquer possibilidade de início das obras do “hospital do futuro”, ao afirmar que o concurso poderá ser lançado em 2026.
A cereja no topo do bolo foi o anúncio de que a unidade de hemodiálise seria “externalizada”. Quando existe uma empresa com um projeto para uma clínica de hemodiálise em São Miguel, pertencente a familiar direto da presidente do conselho de administração do HDES, está tudo dito sobre o que o Governo pretende para o “hospital do futuro”.
Na Cultura, o Governo adia a nomeação do novo diretor regional, porque, segundo a Secretária Regional que tutela a área, “não há pressa”. Para o Governo, a Cultura pode esperar.
Adia-se vezes sem conta, a pedido do interessado, a decisão sobre o futuro da SATA. A cada adiamento aumenta-se o poder já quase ilimitado do consórcio Newtour/MS Aviation, ao ponto de este querer não apenas que os Açores paguem 600 milhões de passivo, mas também uma pequena “gorjeta” de 60 milhões em caixa. O PSD, o CDS, o PPM, o CH e a IL, que todos os dias clamam pelo encerramento da empresa, são responsáveis por este beco sem saída, porque exigem o encerramento da empresa em alternativa à privatização.
Entretanto, o Governo anunciou novas privatizações de empresas do grupo EDA. Se dão lucro ou prejuízo, não interessa; o que interessa é privatizar. A SEGMA, uma das empresas do grupo EDA a privatizar, gerou, nos últimos 5 anos, 4,2 milhões de euros de lucros que o Governo dispensa.
Ao mesmo tempo, o orçamento que o Governo Regional apresentou ao Parlamento é sintoma de 5 anos de políticas erradas. O investimento na habitação é o mesmo anunciado para 2021; o investimento estrutural na saúde é adiado mais uma vez; o investimento em creches só acontece no papel. Há cortes enormes no investimento em diversas áreas. As escolas continuarão a funcionar no limite e, tantas vezes, a não funcionar. A economia resume-se ao turismo. A vida continuará difícil para a maioria.
Temos de sair do marasmo em que os Açores se encontram. É preciso mudar de política, deixar de adiar o futuro e responder aos problemas das pessoas já hoje.