Governo regional em guerra civíl

O que significa o anúncio de José Manuel Bolieiro sobre a data do fim da coligação? Uma verdadeira “guerra civil” no governo.

Mesmo antes do anúncio de Bolieiro, o CDS já se comportava como estando na oposição, ao promover abertamente uma política baseada na disputa entre elites económicas de diferentes ilhas.

Exemplos disso são o setor da saúde - que concentra grande parte do orçamento da região e que, por isso, é tão apetecível a quem dele se quer servir - e ainda a ideia peregrina de acabar com as obrigações de serviço público entre Lisboa, Faial, Pico e Santa Maria, precisamente no momento em que acaba de entrar em vigor novas obrigações de serviço público.

O que significa isto para as pessoas? Um governo em que parte dos seus membros está empenhada em fazer oposição à outra parte é um governo que ignora os problemas concretos das pessoas.

No momento em que Bolieiro anunciou a data da separação, o Governo Regional anunciava a maior subida do preço dos combustíveis de sempre. Bolieiro e o seu governo mostraram-se completamente indiferentes ao impacto dessa decisão na vida das pessoas.

O governo tem margem para reduzir o ISP e mitigar o enorme aumento dos combustíveis. Em fevereiro de 2023, o ISP da gasolina era de 0,492 € por litro. Hoje é de 0,61 € por litro, ou seja, mais 0,118 €. O ISP do gasóleo era de 0,242 € por litro. Hoje é de 0,40 €, mais 0,158 €. A simples reposição do ISP ao nível de fevereiro de 2023 pouparia 7,52 € num depósito de 40 litros de gasolina e 6,32 € num depósito igual de gasóleo.

A desorientação do governo é tal que, ainda antes de entrar em vigor o brutal aumento dos combustíveis, o presidente do governo veio admitir a antecipação da revisão dos preços em maio, quando o que era preciso não era anunciar revisões futuras, mas intervir no imediato.

Não se vislumbram quaisquer medidas de apoio às famílias nem de intervenção na economia para mitigar o impacto da crise. A situação da SATA arrasta-se penosamente, com o prazo de dezembro de 2026 a aproximar-se, sem que o governo se decida por explorar outro caminho que não o das privatizações.

E na saúde é fácil perceber o caos, pois é o centro da disputa entre os partidos da coligação. Entretanto, as listas de espera disparam. No SRS, antes do incêndio do HDES, existiam 10 643 utentes em lista de espera cirúrgica. Em fevereiro de 2026 existiam 13 480 (+26,7%).

Em tempo de crise, o governo decidiu entrar em guerra civil. Deixou de existir.