Aproveito a ocasião das próximas eleições autárquicas para refletir sobre o papel dos cidadãos estrangeiros na construção do presente e do futuro dos Açores. A população estrangeira com estatuto legal de residente na região tem vindo a aumentar nos últimos anos. Fazem parte deste número crescente cidadãos oriundos de todos os continentes, pessoas com os mais diversos percursos e projetos de vida. Por detrás das razões para escolher os Açores como lugar de residência podemos encontrar motivações tão variadas como a procura de uma vida economicamente mais confortável ou a necessidade de abrandar o ritmo de vida acelerado que tinham noutros lugares.
Assim como os açorianos o fizeram em todas as paragens para onde emigraram ao longo de décadas, qualquer um destes indivíduos representa um potencial transformador das sociedades em que se inserem, pois aquilo que experienciaram nos sítios onde já viveram acresce ao conhecimento dos que já cá estão e possibilita novas abordagens e soluções para os problemas locais.
No entanto, este potencial pode ficar ignorado ou chegar a ser abertamente boicotado quando as sociedades não têm a capacidade de incluir estas populações nos atos de decisão. Quanto menos diversa e multicultural for a participação cívica de uma população, mais pobre e menos abrangente será a sua capacidade de ação. Quanto mais fechados estivermos a estes contributos, menos preparados estaremos para os desafios futuros, sejam eles quais forem.
As eleições autárquicas representam a oportunidade para uma parte das populações estrangeiras fazer ouvir a sua voz ao eleger os programas políticos com que mais se identificam. Podem votar neste ato eleitoral os cidadãos estrangeiros maiores de 17 anos, quando recenseados em Portugal, os cidadãos dos Estados-Membro da União Europeia e do Reino Unido, com residência em Portugal anterior ao Brexit; do Brasil e Cabo Verde, comresidência legal em Portugalhá mais de 2 anos; Argentina, Chile, Colômbia, Islândia, Noruega, Nova Zelândia, Peru, Uruguai e Venezuela.
Além do direito ao voto, alguns cidadãos estrangeiros podem, nestas eleições, levar a sua participação ainda mais longe, tomando parte ativa nas candidaturas aos órgãos autárquicos. Podem ser candidatos os cidadãos dos Estados Membros da União Europeia, os do Reino Unido com residência em Portugal anterior ao Brexit e os do Brasil e Cabo Verde, com residência em Portugal há mais de 4 anos.
Independentemente de reunir ou não as condições para votar ou candidatar-se, todos os cidadãos residentes nas nossas ilhas deveriam sentir-se convidados a contribuir para os programas eleitorais (e não apenas os autárquicos) candidatos. E nenhum programa autárquico estará completo sem incluir as necessidades específicas das diferentes populações estrangeiras a residir nestas ilhas. Porque só temos a ganhar em abrir as nossas ilhas ao mundo, a novos conhecimentos e culturas.