No dia 26 de julho celebra-se o Dia dos Avós. Hoje apetece-me antecipar essa homenagem falando sobre aquela que me parece ser a sua importância.
Os avós são figuras especiais nas nossas vidas, dotadas de um afeto único que transcende gerações. Eles desempenham um papel crucial na nossa formação, oferecendo amor incondicional, experiência de vida e uma visão de mundo enriquecida pelo passado. Muitas vezes os vemos como heróis, como modelos, mas eles não devem ser vistos como doutrinadores, antes como mananciais de informação.
Os nossos avós são frequentemente associados a um carinho e amor profundos. Eles conseguem distanciar-se do papel policial dos pais e estabelecer uma relação eminentemente acolhedora e descontraída com seus netos. Essa atmosfera calorosa proporciona um ambiente para o desenvolvimento emocional das crianças, fortalecendo os laços familiares, bem como a empatia.
Os avós podem ser vistos como figuras mais austeras, com expectativas em relação aos netos, desejando que sigam seus valores e princípios. Por vezes questionamo-nos se conseguimos vir a satisfazer os nossos avós, afinal, o mundo muda e as verdades de antes não são as de agora. Prefiro considerar, como em geral, que aquilo que alguém espera de nós é o nosso melhor, à nossa forma.
Viver num meio pequeno, semiurbano e rural, como Santa Maria, oferece uma etnografia rica em História e pobre nos materiais. Os avós tornam-se a nossa conexão com o passado, fornecendo relatos de como a vida era antes, especialmente dentro desse ambiente específico. As suas histórias levam-nos a uma viagem no tempo, permitindo-nos compreender melhor as nossas raízes e a evolução do mundo ao nosso redor.
A minha avó sempre me disse que nasci num berço de ouro. A sua experiência de dificuldades encaradas como banalidades, que, entretanto, foram sempre ultrapassadas, normalmente, tecnologicamente, levam-na a ser capaz de reconhecer essa mesma evolução por uma questão de continuidade temporal. Além do amor transmitido, os avós mostram-nos que o mundo está em constante mudança e evolução. Nada pode ser dado como garantido, tanto para o bem quanto para o mal. Sejamos capazes de fazer com essa informação o que melhor satisfizer a nossa consciência.
Aquilo que não devemos esquecer, até por respeito às vivências dos nossos avós, é o privilégio em que grande parte de nós se encontra. Mesmo parte dos menos afortunados de hoje se encontra numa melhor posição do que o mediano de ontem. Obviamente que esta conversa é muito mais complexa, em outras oportunidades já pude falar sobre ela, inclusive de um ponto de vista identitarista.
Uma das coisas mais fascinantes sobre os avós é a perceção de que o tempo histórico humano não é tão distante como imaginamos. A minha avó tem perfeitas memórias de pessoas que viveram a maior parte do seu tempo no século XIX. Claro que o tempo é algo que faz confusão aos nossos cérebros e que o tempo histórico é imenso, mas a História considerada contemporânea não está assim tão distante.
Os avós são uma verdadeira dádiva. A sua presença afetuosa e a sua experiência são oportunidades para se formarem boas memórias. Dos meus avós guardo valores como humildade e empatia. Nunca subestimemos o papel dos avós nas nossas vidas, eles são verdadeiros tesouros que devemos valorizar e honrar.