Foi evidente o desconforto de algumas bancadas, no plenário de julho, na apresentação do voto de saudação às iniciativas de orgulho LGBTQIA+ pelo Bloco de Esquerda. Desde o discurso do deputado do CHEGA, que se refere às iniciativas de orgulho LGBTQIA+ como um “circo”, à ausência de deputados na votação, inclusive do deputado da Iniciativa Liberal.
É estranho que um partido que se diz liberal não tenha no seu programa eleitoral nos Açores uma única proposta para a inclusão e direitos da comunidade LGBTQIA+, nem participe nas iniciativas de orgulho. Libertar a comunidade dos armários e garantir os seus direitos deve ser um objetivo, mas pelos vistos, para a IL, a liberdade é só para que alguns possam lucrar com menos burocracia enquanto descapitalizam os serviços públicos.
As “justificações” de quem considera existir uma agenda LGBTQIA+ são de que há uma ideologia que quer diminuir social e culturalmente os “cidadãos de bem”, através do “LGBTismo”. Os mesmos que dizem não existir racismo nem machismo em Portugal, são os que se erguem para dizer que não há necessidade de haver marchas, nem iniciativas de orgulho LGBTQIA+, porque é fora da vista e bem no fundo dos armários que estas pessoas devem estar e viver.
Estes “cidadãos de bem” afirmam que a comunidade LGBTQIA+ apresenta uma doença obsessiva da identidade, com efeitos na sociedade. Não nos esqueçamos que foi há 32 anos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID).
As tentativas de associar doenças à homossexualidade, tal como foi com a GRID -Imunodeficiência dos Gays, hoje em dia denominada SIDA - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida -, com o Monkeypox e com doenças mentais/psiquiátricas revelam bem que há uma obsessão em realizar diagnósticos falaciosos por puro desconhecimento e perversidade.
O medo do desconhecido é realmente o principal problema e é através da educação sexual e da desmistificação de conceitos que se consegue uma sociedade que aceite as diferenças, que entenda que é na felicidade e no amor que podemos ter uma sociedade mais empática e inclusiva.
A utilização de uma linguagem inclusiva, que tanto assusta conservadores, não tem como objetivo apontar o dedo a quem não os utiliza, mas sim tornar mais visível e permitir uma reflexão sobre a forma como comunicamos e de certa forma excluímos alguns grupos. Numa sociedade que ainda tenta expurgar algumas formas de ser e de amar, é preciso quem faça o caminho para que os próximos o façam de forma mais fácil, num mundo ainda com muitas barreiras.
Já foram várias as vitórias alcançadas ao longo das últimas décadas – o acesso ao casamento e à adoção da comunidade LGBTQIA+, o direito à autodeterminação de género e o princípio constitucional da igualdade que garante tratamento igual e a proibição da discriminação- mas ainda há muito por fazer e é por isso que continuam a existir os movimentos, associações, ativismo, mês de orgulho e marchas LGBTQIA+!
É preciso que se continue a tirar os açorianos e açorianas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexo, Assexuais da invisibilidade e dos armários e trazer para a sua tão desejada felicidade e abertura para o mundo. Façam o favor de ser felizes!