Felizmente, vivemos num mundo que, nem que seja no papel, reconheceu a importância de definir direitos humanos. Deste esforço internacional, no artigo 26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, resultou o reforço da importância de dois pontos. Permitam-me que os cite: Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito; A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
A Constituição da República Portuguesa, tal como a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, asseguram as mesmas noções expressas pelas Nações Unidas de forma muito semelhante. Há uma necessidade de libertar informação para o público, de forma a formar mentes ricas e com espírito crítico. Esse consumo de informação faz-se através de inúmeros meios, não sendo só do domínio da educação formal, da escola. Os livros ou produções de multimédia são excelentes fontes que têm de ser bem conjugadas com os direitos de autor (sendo que devemos ter como objetivo a cultura acessível a todos). A investigação científica é outro fator importantíssimo de se ter em conta e que, infelizmente, se encontra dispersa ou necessita de pagamento para ser acedida.
É preciso valorizar projetos como edições do Arquivo dos Açores que se encontram digitalizadas e acessíveis (https://biblioteca.uac.pt/pt-pt/recursos-arquivo-acores), sendo que ainda falta fazer o mesmo para os tomos mais recentes. Apostar em tornar os documentos públicos. Apoiar institutos açorianos de investigação como o Gaspar Frutuoso, ou o IVAR de forma a tornarem acessível a sua produção científica.
Tendo em conta a riqueza que se encontra na memória coletiva e individual dos açorianos, de termos vários autores açorianos a publicar as suas memórias, mas também relatos com valor histórico. Seria de interesse público agregar toda essa informação numa plataforma digital, de acesso gratuito e universal.
Aproveitar essa plataforma digital para relacionar os documentos do arquivo, produção científica e imprensa, com critérios temporais, seria uma mais-valia para os Açores.
Os Açores promoverem a acumulação de conhecimento sobre si, de açorianos para açorianos, facilita em muito o acesso aos dados, a valorização e fixação de especialistas… Há um ano e pouco, fui introduzido a um novo conceito: Nissologia. Trata-se do estudo das ilhas, um campo multifacetado que aborda assuntos muito díspares para caraterizar massas territoriais que podem possuir caraterísticas tão distintas como um arquipélago (se olhássemos de relance para as Flores e para a Graciosa, quase não diríamos que pertencem ao mesmo).
É preciso estarmos informados para podermos tomar as melhores decisões, trata-se de algo lógico e do pensamento comum. Mais do que moderação, aquilo que precisamos é de ponderação. Desta forma, é fulcral haver fontes rigorosas de conhecimento acessíveis a todos. Temos de ter em mente a importância de libertarmos a cultura e investigação para o domínio público.