Mais um treinador de bancada

A partir de hoje, a cada terça-feira, os açorianos vão aturar mais um treinador de bancada, mas, desta vez, um mariense, neste que é um dos espaços de reflexão do Bloco Açores.

Sendo eu, quase de certeza, um completo estranho para quem está a ler este artigo, penso ser de bom tom fazer uma pequena apresentação (e que aqui fique um pedido de desculpas pela possível falta de humildade que os parágrafos que se seguem podem demonstrar).

Nasci em 2002, pelo que, fazendo as contas, tenho uns meros 19 anos. Durante toda a minha vida morei em Santa Maria, só tendo alterado essa realidade no final do ano passado, quando rumei ao Porto para estudar Física.

Sou fruto de vários privilégios, como a minha avó diz, nasci em berço de ouro. É a ouvir os relatos dos ascendentes familiares e vendo as notícias que o percebo. Sou incapaz de fazer qualquer análise da realidade sem o mencionar, porque na minha experiência de vida não tive obstáculos que muitas pessoas tiveram ou têm.

Para o meu crescimento contribuiu um apoio familiar muito forte e o entusiasmo de vários professores. Com o seu apoio tive a oportunidade de participar em várias atividades, competições e eventos que em muito me enriqueceram, na forma e no conteúdo.

As legislativas de 2015 fizeram-me parar para observar o que me rodeava. Não sendo o meu cérebro uma máquina de grande distinção, só em 2017 cheguei à conclusão de que se queria algo, deveria arregaçar as mangas e fazer por isso. Se queria uma Associação de Estudantes interventiva, tinha de perder o medo e avançar. Se queria uma voz interventiva a favor dos alunos nos órgãos escolares, então tinha de perder a preguiça. De 2017 a 2020, com mais e menos fracassos e sucessos, erros e aprendizagens, movi-me pelo entusiasmo de quebrar a barreira entre a escola e a comunidade.

Ao longo desse percurso apercebi-me da importância da política. Como cheguei a essa conclusão? Tudo é política. Por isso mesmo decidi aproximar-me do partido que melhor me representava: o Bloco de Esquerda. A partir das regionais de 2016 aventurei-me e em 2018 cheguei à comissão política regional. Durante quase dois anos estive em contacto com uma figura que muito admiro e a quem devo o início da minha atividade política: a Zuraida Soares. Em 2020 fui eleito coordenador daquela que é a primeira comissão coordenadora de ilha do Bloco em Santa Maria.

(Em jeito de curiosidade, gostava de conseguir ter a possibilidade de saber se os leitores reviraram os olhos depois deste parágrafo partidário.)

E agora aqui estou a mandar postas de pescada.

É importante termos estes espaços de reflexão, que devem ser alargados a pessoas muito diferentes, sendo, obviamente, o fator idade aqui inserido. No entanto, a par da ponderação é necessário não esquecer que precisamos de sair da nossa bancada e aventurar-nos na realidade.