O Grupo SATA anunciou resultados, relativos a 2022, com prejuízos de 34 ME na SATA Internacional e de 2,5ME na SATA Air Açores.
Recorde-se que em 2021 tinham sido registados pela SATA Internacional prejuízos de 50 ME e de 6,8 ME na SATA Air Açores.
No essencial, a comunicação efetuada pela SATA, e “apoiada” pelo Governo Regional e pelos partidos que o apoiam, fez passar a ideia de que os resultados, não sendo bons, demonstravam todavia uma evolução positiva. Pura ilusão.
Os resultados da SATA Internacional e da Air Açores continuam muito negativos e no que tem a ver com o negócio - resultados operacionais antes de juros e diferenças de câmbio e impostos - são piores dos que se registaram em 2021.
Os resultados operacionais da SATA Internacional foram de menos 30 ME em 2022 e menos 26 ME em 2021, ou seja, deterioraram-se em 4ME.
Na SATA Air Açores, os resultados operacionais foram de menos 8ME em 2022 e de menos 4ME em 2021. Deterioraram-se em 12ME.
Mas então como se justifica a evolução aparentemente positiva que se verifica nos resultados da SATA em 2022?
Explicam-se pela utilização de engenharia financeira que melhorou artificialmente os resultados de 2022, nomeadamente a inscrição de impostos diferidos como receitas. Na gíria, uma bela martelada.
A SATA Internacional registou 13 ME de “proveitos” de impostos diferidos. A SATA Air Açores registou 6,2 ME de impostos diferidos.
Para os menos familiarizados com estas terminologias, o imposto diferido é a “poupança” fiscal que uma empresa terá ao deduzir prejuízos passados se, e quando, tiver lucros no futuro.
Foi o registo meramente contabilístico destas verbas que permitiu alimentar a ilusão de que havia uma melhoria nas contas. A utilização deste tipo de engenharia financeira não é aceitável numa empresa pública, muito menos numa empresa em dificuldades como a SATA.
São os auditores da SATA - a PwC - que, relativamente aos impostos diferidos, expressam reservas às contas, afirmando que os “resultados do exercício se encontram sobreavaliados”.
Só se explica esta maquilhagem de contas porque o governo precisava desesperadamente de algum sinal positivo na SATA para poder manter a narrativa de que está a “salvar a SATA”. Sem maquilhagem, os resultados são, infelizmente, tão maus como em 2021.
Por outro lado, foi ainda expressa pelos auditores uma reserva, relativamente à dívida da SATA Internacional à SATA Air Açores.
Esta dívida, que no ano passado ascendia a 285 ME, cresceu 92 ME num ano.
A esse respeito, os auditores afirmam que “a rubrica de outras contas a receber encontra-se sobreavaliada”. Ou seja, os auditores consideram que não será paga toda a dívida da SATA Internacional à SATA Air Açores.
Tal como o Bloco já tinha alertado, aqui se encontra a “porta aberta” para ser perdoada a dívida da SATA Internacional à SATA Air Açores aquando da privatização. Isso coloca em risco a SATA Air Açores.
Fica claro que o governo não está a “salvar a SATA”. Pelo contrário, coloca em causa a própria SATA Air Açores e a credibilidade do grupo de empresas com estas marteladas e opções políticas.
Apesar das reservas expressas pelos auditores externos, o governo decidiu aprovar essas contas.
Esta decisão é uma fuga em frente que em nada contribui para uma informação verdadeira e transparente, e que pretende apenas servir os interesses políticos imediatos da coligação.
Os investidores não caem na artimanha. Mas as açorianas e os açorianos comuns só conheciam parte da história. Agora conhecem a história toda e é fundamental que se exijam explicações e se assumam responsabilidades.